Título: Apadrinhados na linha de corte
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 24/07/2005, País, p. A4

Entre as perdas menos significativas, mas nem por isso menos sentidas estão as do ministério das Minas e Energia, que foi parar nas mãos dos peemedebistas, a do ministério do Trabalho, hoje controlado por Luiz Marinho, e a da Secretaria de Direitos Humanos. Das pedras preciosas do PT da Esplanada, salvaram-se Educação e Desenvolvimento Social. Fernando Haddad, no entanto, substituto de Tarso Genro na Educação, pode ser considerado menos petista do que o antecessor. A exemplo de Dilma, é mais técnico do que político. - Haddad é uma pessoa que tem uma formação técnica e científica vinculada à educação - define Tarso Genro, presidente do PT.

O profundo corte nos cargos de confiança, anunciado na quinta-feira, também deve varrer da Esplanada boa parte dos petistas que desembarcaram no governo no rastro da posse de Lula em 2003. Como agora 70% dos 21.197 DAS (Direção de Assessoramento Superior) na administração federal serão preenchidos, obrigatoriamente, por servidores concursados, o PT, que ocupava fatia significativa dos cargos, perde musculatura nos escalões inferiores. Some-se a isso, a perda do controle, pelos petistas de alto coturno, sobre a distribuição das vagas que restaram. Sai de cena o ex-petista Silvinho Pereira, entram Dilma e Palocci, hoje donos da chave desse valioso cofre.

O processo gradual de ''despetização'' da Esplanada não encontra paralelo no atual governo e faz parte da estratégia discutida nos bastidores do Planalto para tentar descolar Lula da crise. A tese é clara: o governo é uma coisa, o partido é outra. Em Paris, o presidente deu pistas da estratégia em curso ao dizer que ''há muito deixou de ser presidente do PT''. Os depoimentos do ex-tesoureiro Delúbio Soares e do ex-secretário geral, Sílvio Pereira, seguiram nessa mesma linha.