Título: Valério afirma que não vai aceitar calote do PT
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Fonte: Jornal do Brasil, 25/07/2005, País, p. A4
O dono das agências de publicidade SMPB e DNA, Marcos Valério Fernandes de Souza - acusado de ser o operador do mensalão - decidiu partir para a ofensiva. Ele divulgou ontem nota em que nega ter chantageado o PT e acusa o partido de ter armado essa versão ''para dar-lhe o calote nos empréstimos feitos legalmente no sistema bancário''. Segundo a revista Veja desta semana, Valério teria telefonado ao ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), pedindo garantias para não ser preso e R$ 200 milhões em troca de seu silêncio.
Valério disse, na nota divulgada ontem, que ''não aceitará o calote do PT e cobrará a dívida judicialmente, se necessário''. Informou que entregará à Procuradoria Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal (STF), no início da semana, ''farta documentação, comprovando a regularidade da movimentação financeira de suas empresas''.
As empresas de Marcos Valério fizeram cinco empréstimos bancários, em 2003 e 2004, cujos valores atualizados passam de R$ 93 milhões. Esses valores teriam sido repassados ao PT, por meio de de empréstimos, para financiar campanhas eleitorais de petistas e da base governista.
Na nota, o empresário afirma que não ''não existem fontes secretas que injetam recursos em suas empresas. As receitas e o patrimônio delas são resultados de mais de 20 anos de atuação comprovada no mercado publicitário nacional.''
O publicitário também afirmou que ''não entende por que alguns políticos afirmam que receberam doações da Usiminas, uma vez que, na verdade, as doações foram da SMPB'' (uma de suas empresas).
A versão contraria as justificativas apresentadas pelo ex-ministro e deputado federal Roberto Brant (PFL-MG) e pelo ex-secretário de Radiodifusão Paulo Menicucci, do PSDB, para a doação da SMPB.
Brant disse que recebeu R$ 102 mil em nome de um assessor durante sua campanha para prefeito de Belo Horizonte, enquanto Menicucci sacou R$ 205 mil para João Leite (PSB), que disputava com Brant. Os dois disseram que o dinheiro era doação da Usiminas.
Em entrevista à Folha de São Paulo, Valério já havia refutado a acusação de chantagem e dito que interpretava como uma declaração de guerra do PT contra ele, dizendo que, a partir de agora, se sentia ''sem compromisso com ninguém do partido''.