Título: O nó da reforma ministerial
Autor: Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 21/07/2005, País, p. A7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mais um nó para desatar na reforma que pretende fazer em seu ministério, que se arrasta há semanas. Na tentativa de alargar a base de apoio do governo no Congresso, cedeu ao PP a pasta de Cidades, desenhada no programa de governo petista já de acordo com o perfil do ministro Olívio Dutra. Com a manobra, Lula não só desagradou seu partido como não convenceu a bancada do PP no Congresso, que avalia não ser uma boa hora para entrar no governo. - A bancada não foi consultada sobre a indicação do Márcio Fortes. Nem sobre a decisão de entrar no governo. É um momento delicado - afirma o deputado Ricardo Barros (PP-PR).
A indicação de Márcio Fortes representaria apenas a vontade do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). O líder do PP na Câmara, José Janene (PR) negou a unidade do partido em torno de Fortes.
- O PP nunca se colocou como oposição ferrenha ao governo, e também não pretende mudar seu comportamento no Congresso - resumiu o líder.
Dentro do PT, a resistência vem sobretudo da bancada gaúcha e dos setores de esquerda.
- É tentar fortalecer uma base de sustentação que não sustenta nada, com uma aliança pouco eficiente. A substituição de um quadro histórico do PT com um partido de direita é uma trapalhada - critica o deputado Ivan Valente (PT-SP).
A reação foi forte também no segundo escalão do Ministério das Cidades, composto por uma maioria de petistas, que recebeu com revolta a notícia da saída de Olívio Dutra.