Título: Extradição contra radicais
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/07/2005, Internacional, p. A9

O primeiro-ministro Tony Blair anunciou ontem já ter estabelecido um acordo de intenções com a Jordânia que permitirá os tribunais britânicos expulsar do Reino Unido jordanianos que sejam considerados uma ameaça. O principal alvo desta e de outras medidas serão os religiosos muçulmanos radicais que pregam o ódio. Um deles é Abbou Qatada, considerado o chefe espiritual da Al Qaeda na Europa.

Além disso, as autoridades britânicas vão preparar um banco de dados de indivíduos com características que os classifiquem como suspeitos. As informações serão levadas a setores de imigração, que poderão barrá-los ou expulsá-los do país.

O governo espera fechar acordos de extradição semelhantes com outros países, especialmente do Norte da África, e quer ampliar os poderes já existentes para expulsar qualquer pessoa que incitar ou aprovar atos de terrorismo. No passado, as leis de direitos humanos impediram estas tentativas contra pessoas que pregavam a violência na Grã-Bretanha.

- Parte do problema é que, mesmo quando queremos deportar alguém, às vezes, somos impedidos porque o país para onde essas pessoas deveriam ir não respeitam os direitos humanos - explicou o primeiro-ministro, Tony Blair, ontem, em sabatina na Câmara dos Comuns.

Segundo o acordo com Amã, a Jordânia teria de garantir à Grã-Bretanha que o deportado não será torturado e não será condenado à pena de morte.

O primeiro-ministro também disse que os governos britânico e paquistanês têm mantido conversas em torno de um ''desejo comum'' para encontrar uma solução para as madrassas em que se prega o ódio.

- Os terroristas vão usar todos os argumentos para justificar o que fazem. Muito freqüentemente não são encontrados aqui sozinhos. Portanto, uma ação internacional é necessária - justificou Blair.

A Grã-Bretanha pretende também definir três novos tipos de crimes nas futuras leis anti-terrorismo, a serem apresentadas em outubro ao Parlamento: o acobertamento de ''atos preparatórios'', a glorificação ou tolerância do terrorismo e o ato de dar ou receber treinamento para esse fim.