Título: Críticas de todas as direções
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 21/07/2005, Economia & Negócios, p. A19
A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de manter os juros em 19,75% ao ano provocou nova enxurrada de críticas por parte do setor produtivo e de sindicalistas.
Para Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que os juros altos colocam o país em risco.
- Manter a taxa no nível atual afugenta novos investimentos e coloca o Brasil numa situação de risco desnecessária, já que todos os índices de inflação, tanto no atacado como no varejo, apresentaram significativas quedas - afirma Skaf, lembrando a liderança brasileira no ranking de juros reais e as nove quedas consecutivas das projeções de inflação.
Outra a carregar o tom de crítica em relação ao Copom foi a Federação das Indústrias dos Estado do Rio (Firjan), para quem a decisão significa crescimento menor, além de ser ''desnecessária'' num período de inflação sob controle.
A Federação do Comércio do Rio (Fecomércio-RJ) alertou que a manutenção dos juros tende a frear o bom desempenho do comércio.
''O fôlego das empresas nos últimos meses, favorecido pela expansão do crédito e pelo bom resultado das taxas de emprego, pode estar se esgotando. O momento econômico, com a inflação em queda e valorização do real, já permitiria uma queda na taxa'', diz a nota divulgada pela instituição.
A Fecomércio de São Paulo é mais uma a enxergar espaço para a redução da Selic. De acordo com a entidade, a expectativa é de que o Copom opte por reduzir os juros em pelo menos 0,5 ponto percentual em agosto, de forma a aproximar as taxas cobradas no país dos patamares encontrados em nações emergentes com economias semelhantes à brasileira.
- A dose de juro se provou excessiva, já que os efeitos deflacionários vistos nas últimas semanas não são outros que os da política monetária exageradamente conservadora - disse o presidente da
Fecomercio-SP, Abram Szajman.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considerou ''insensata'' a decisão do Copom, enquanto a Força Sindical afirmou que a decisão será ''nefasta para a economia do país''.
O estrategista-chefe do banco BNP Paribas, Alexandre Lintz, no entanto, avalia que um corte de juros agora seria incongruente com a imagem de conservadorismo criada pelo próprio Banco Central.
- A postura conservadora se tornou uma marca do BC. Por isso, não surpreende a cautela demonstrada neste momento. Mas condições técnicas já havia para os juros caírem - diz Lintz.
Roberto Padovani, economista da consultoria Tendências, diz que ao ''elevar os juros até o atual patamar, com toda a pressão contrária de vários setores da sociedade, demonstrou que BC tem cautela e independência''.
- Por esses pontos, não esperava que houvesse uma redução da taxa Selic agora - afirma.
Padovani diz acreditar que o cenário mais provável é de que a Selic comece a ser reduzida apenas no mês de setembro, para alcançar os 18% no fim de 2005.