Título: Brasileiro paga R$ 41 bi por ano
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/07/2005, Economia & Negócios, p. A19

Com a Selic em alta, aumentam também os juros pagos pelos consumidores. No período de um ano saem do bolso do consumidor R$ 41,5 bilhões para o pagamento de juros a bancos, financeiras e lojas no país. O volume equivale a quase o dobro do que o governo federal liberou para investimentos no Brasil até maio (R$ 21,6 bilhões).

Se o mercado trabalhasse com as taxas praticadas pelo comércio e instituições financeiras em países emergentes como Chile e México, o volume engolido pelos juros cairia para R$ 8,5 bilhões ao final de 12 meses. As contas foram feitas pelo departamento de economia da Fecomercio-SP.

O cálculo parte do volume de crédito ao consumidor no país, que somava R$ 134,4 bilhões em maio, segundo o Banco Central. Considera também que a taxa de juros média para pessoas físicas em diversas categorias (crediário, cheque especial, financiamento de carros) está em 4,4% ao mês (67,5% ao ano). A simulação ainda leva em conta, para obter dados mais precisos, a inflação média de 0,5% ao mês - de forma que se possa trabalhar com uma taxa de juros real.

Nessas condições, os técnicos conseguiram calcular, analisando o valor disponível de crédito, quanto se gasta ao mês em juros e o tamanho do valor principal da dívida do consumidor. Conclui-se que, se o mercado (bancos, lojas) trabalhasse com taxas mais baixas, em torno de 15% em média ao ano (como em países da América Latina), o volume dispensado para arcar com essas taxas seria inferior aos R$ 41,5 bilhões. A economia seria de R$ 33 bi e, portanto, o gasto cairia para R$ 8,5 bilhões.

- Uma eventual queda nas taxas cobradas pelo mercado tende a ser repassada para frente - diz Abram Szajman, presidente da federação.

Pela pesquisa, o custo de vida sobe ao ano em quase 11% com a cobrança dos juros.

Reações à decisão do Copom

¿Manter a taxa no nível atual afugenta novos investimentos e coloca o Brasil numa situação de risco desnecessária¿ Paulo Skaf,Presidente da Fiesp

¿O conservadorismo do Copom freia o bom desempenho do comércio. O fôlego das empresas pode estar se esgotando¿ Orlando Diniz, Pres. da Fecomércio-RJ

¿A deflação mostra que os habituais argumentos da política monetária não têm respaldo no mundo real¿ Wagner Gomes, Presidente da CUT

¿A manutenção da Selic por mais um mês será importante para debelar definitivamente a inflação¿ José Assunção, Vice-pres. da Fenacrefi

¿A decisão de manter a taxa significa crescimento menor em 2006 e é desnecessária¿ Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, Presidente da Firjan