Título: Valério é denunciado por queima de documentos
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 30/07/2005, País, p. A2

A Promotoria de Justiça de Contagem (MG) ofereceu ontem denúncia contra Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador do mensalão. A denúncia também atinge o policial aposentado Marco Túlio Prata, seu filho Vinício Prata Neto e seu irmão Marco Aurélio Prata, contador de Marcos Valério, por ocultação e destruição de documentos fiscais e contábeis da agência DNA Propaganda.

A Polícia Civil de Minas Gerais apreendeu no último dia 14 um total de 12 caixas com mais de duas mil notas fiscais da DNA, da qual Marcos Valério é sócio, na casa do irmão de Marco Túlio, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

As notas de prestação de serviços - muitas emitidas em nomes de bancos no período de 1998 a 2004, segundo o promotor Leonardo Barbabela - seriam queimadas, como outros documentos encontrados na casa.

A Promotoria denúnciou ainda Marco Túlio e Vinício por porte de arma ilegal. Na residência de Marco Túlio foram encontradas 17 armas de fogo além de munições, miras telescópicas, silenciadores e coletes. Algumas das armas, acessórios e munições não tinham autorização, incluindo 100 cartuchos calibre 556, utilizados em fuzis AR-15. Todas as armas foram levadas para exame.

Dois dias após a apreensão da polícia, foram descobertos novos papéis queimados e com a logomarca da DNA Propagada num terreno baldio próximo à casa de Marco Túlio.

A denúncia da Promotoria de Contagem deve ajudar a CPI dos Correios. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), integrante da comissão, entregou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no fim da tarde de ontem, o pedido formal de prisão preventiva de Marcos Valério e também da decretação da indisponibilidade dos bens do dono de agências de publicidade.

O chefe do Ministério Público recebeu, além do ofício protocolado, alguns documentos selecionados pela CPI e laudos da Polícia Federal. Antonio Fernando informou que vai analisar os pedidos e a documentação neste fim de semana. Caso se convença da necessidade da prisão preventiva de Marcos Valério ou do bloqueio de seus bens, o procurador-geral terá de enviar parecer ao Supremo Tribunal Federal, onde tramita em caráter sigiloso o inquérito, por ter entre os indiciados, pelo menos, um parlamentar - o deputado Josias Gomes (PT-BA).

Os pareceres do procurador terão de ser apreciado pelo Supremo.