Título: Gerente da SMPB entregou lista com 31 beneficiados
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Fonte: Jornal do Brasil, 02/08/2005, País, p. A4
A gerente administrativa da agência de publicidade SMPB, Simone Vasconcelos, revelou ontem, em depoimento à Polícia Federal em Brasília, uma lista com 31 nomes de pessoas a quem ela entregou cerca de R$ 7 milhões em espécie na sede do Banco Rural da capital. Simone disse aos investigadores que a fonte do dinheiro repassado a pessoas ligadas ao PT, ou mediante indicação do partido, eram empréstimos tomados pelo dono de agências de publicidade Marcos Valério Fernandes. A versão de Simone coincide com a apresentada por Valério em depoimento ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que conduz investigação para apurar o pagamento de mesada em troca de apoio ao governo.
¿ Ela corroborou a tese de Valério: eram empréstimos de partido para partido, em que eles entregavam dinheiro ao PT e a seus indicados ¿ declarou a procuradora Raquel Branquinho, do Ministério Público Federal.
Simone apontou três novos assessores de deputados a quem entregou o dinheiro de Valério. Os sacadores completam uma lista de nomes conhecidos, já identificados na CPI do Mensalão, como o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ); o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR); o ex-tesoureiro do PL, Jacinto Lamas; e o assessor do líder do PP José Janene (PR), João Cláudio Genu.
No mesmo dia em que o presidente do PL, Valdemas Costa Neto, renunciou ao mandato, teve o nome envolvido em remessas ilegais ao exterior. A gerente financeira associou o agora ex-deputado à off-shore Garanhuns Empreendimentos e Participações, com sede no Uruguai, também usada por Valério para enviar dinheiro a paraísos fiscais.
Ainda segundo a procuradora, Simone não confirmou a referência a uma pessoa chamada Roberto Marques, indicado como um dos sacadores, que seria um assessor do ex-ministro José Dirceu. Conforme os registros do Rural, Marques seria o destinatário de um saque de R$ 50 mil. No entanto, o dinheiro foi retirado em uma agência de São Paulo por Luiz Masano, funcionário da corretora Bonus-Bonval, que teve como estagiária Michele Janene, filha de José Janene.
Em depoimento à PF na última sexta-feira, João Claudio Genu confirmou que, por orientação da direção do PP, fazia saques em espécie na agência do Rural em Brasília e levava o dinheiro para uma sala do partido no Congresso.
Segundo a procuradora, o depoimento de Simone foi bom porque ¿corrobora as provas que a polícia e a CPI dos Correios vêm colhendo¿.
Ontem foi o terceiro depoimento de Simone à PF. No primeiro, em 1º de julho, ela negou ter feito saques para entregar a pessoas indicadas por Valério. Doze dias depois, no entanto, a gerente administrativa mudou sua versão e admitiu retirar grandes quantias no Banco Rural em Brasília.
Ela falou que, a mando do empresário, entregava o dinheiro a pessoas ¿desconhecidas¿ que chegavam na agência. Na ocasião, porém, Simone afirmou que não era capaz de reconhecer os beneficiados, versão modificada ontem.
O terceiro depoimento da gerente administrativa estava previsto para ocorrer em Belo Horizonte, segundo a assessoria da PF. A própria polícia chegou a divulgar que o depoimento tinha sido suspenso. Mas Simone entrou na sede da PF em Brasília às 13h20.