Título: Rio perde a corrida contra o AVC
Autor: Duilo Victor
Fonte: Jornal do Brasil, 03/08/2005, Rio, p. A13

Conhecido como a principal causa de morte entre as doenças cardiovasculares, o derrame cerebral detém um recorde negativo na rede pública do Rio. De acordo com levantamento de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2000 e 2004, feito pelo vereador Carlos Eduardo (sem partido), 35,52% dos pacientes internados com derrame, doença também conhecida como acidente vascular cerebral (AVC), morrem nas unidades públicas do Rio. O índice está bem acima da média nacional: 21,05%. Uma das causas apontadas pelo vereador para esse quadro é a dificuldade que os pacientes enfrentam para conseguir atendimento imediato nas emergências públicas. Na maioria das vezes, segundo ele, pacientes que necessitam de simples atendimentos ambulatoriais, que poderiam ser feitos em postos de saúde, aumentam a fila das emergências. Esta sobrecarga afeta diretamente quem precisa de atendimento rápido, como doentes que iniciaram um AVC.

A mesma explicação serviu para analisar outro levantamento do vereador sobre mortes por infarto no Rio, divulgadas dia 22 pelo JB. Na pesquisa, foi constatado que a mortalidade entre os infartados do estado também está acima da média nacional.

- Na emergência do Hospital Miguel Couto, por exemplo, recebem-se em média 800 pacientes por mês para tratamento ambulatorial de diabetes, que poderiam ser atendidos fora das emergências - relata Carlos Eduardo, cardiologista e chefe da emergência do hospital entre 2001 e 2004.

De acordo com ele, as primeiras três horas são as mais importantes para quem tem derrame, e um atendimento ideal seria realizado se as unidades emergenciais tivessem leitos especializados, como na rede particular:

Endocrinologista e integrante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Rosane Kupfer afirma que geralmente um portador de diabetes também é hipertenso e enfrenta problemas com colesterol.

- Os pacientes com diabetes são o grupo de risco para sofrerem um derrame - diz Rosane.

Segundo ela, a adesão ao tratamento, que depende do uso regular de muitos medicamentos é um dos problemas para o tratamento.

Na comparação entre os estados, também com levantamento no número de Autorização de Internação Hospitalar do SUS, o estado do Rio está com a mortalidade por derrame acima da média. Entre 2000 e 2004 o índice é de 25,25%, enquanto a média nacional alcança 16,36%. O Rio só é melhor que Pernambuco, onde 25,49% dos internados com AVC morrem nos hospitais. No ano passado, morreram 2.443 pessoas internadas no estado do Rio com derrame. Na capital, este número foi 746.

- Temos que ponderar que o aumento na mortalidade também tem que ser atribuído ao aumento da população idosa do Rio, faixa que concentra os casos de AVC - comenta o deputado Paulo Pinheiro, presidente da Comissão de Saúde da Alerj.