Título: PT-DF levou R$ 605 mil do mensalão
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 03/08/2005, Basília, p. D3

O publicitário Marcos Valério, acusado de ser o operador do mensalão, não colaborou com apenas R$ 50 mil para saldar as dívidas do PT-DF, como divulgado até a semana passada. De acordo com a lista entregue à Polícia Federal, na última segunda-feira, pela gerente-administrativa da agência SMP&B, Simone Vasconcelos, a seção distrital ganhou R$ 605 mil do publicitário mineiro. O presidente regional do PT, Wilmar Lacerda, confirma apenas R$ 381 mil. Lacerda prestou esclarecimentos durante toda a tarde de ontem aos integrantes da Comissão de Averiguação criada pelo PT para apurar detalhes sobre os saques realizados por dirigentes locais na conta de Marcos Valério, no Banco Rural. Na quebra de sigilo bancário de Valério, Lacerda aparece como sacador de R$ 50 mil. Raimundo Júnior, vice-presidente petista, retirou R$ 100 mil. Júnior, que era assessor parlamentar do deputado federal Paulo Delgado (MG) até 15 dias atrás, garante que o saque nada tem a ver com o PT-DF nem com o deputado, mas que teria sido uma ordem expressa do ex-tesoureiro nacional Delúbio Soares, a quem ele garante ter entregue o montante em mãos.

Wilmar reconhece um único saque no Banco Rural. Os outros R$ 331 mil teriam chegado às contas do PT-DF de maneiras diversas. O primeiro repasse foi feito em março de 2003, no valor de R$ 120 mil - ''em espécie, das mãos de Delúbio'', como destaca o presidente. Seis meses depois, em setembro do mesmo ano, o ex-tesoureiro teria orientado Lacerda a mandar um militante para Minas Gerais com o único fim de recolher R$ 100 mil em um endereço indicado. No mês seguinte, um outro petista também esteve no estado de Marcos Valério para receber novo aporte, no valor de R$ 35 mil.

- Na época eu não tinha idéia de quem havia repassado o dinheiro a eles. Mas hoje imagino que tenha sido a Simone ou a Geiza - disse Lacerda, referindo-se às diretoras da SMP&B. Ele ressalta que apenas ''recebeu orientações de Delúbio'', e que jamais soube do ''esquema'' montado pelo colega .

Lacerda relatou ainda para a comissão que outros R$ 35 mil foram contabilizados em 2003, mas ele diz não se lembrar em que mês o dinheiro entrou na conta. Ao longo de 2004, fechando os R$ 381 mil, o PT nacional teria repassado R$ 41 mil.

- O restante desta soma de R$ 605 mil (R$ 224 mil) eu não tenho notícia. Pode ter sido repassado a outras pessoas do PT, em contato direto com Delúbio. Ou pode ter entrado na contabilidade de programas de tevê que o diretório nacional pagou para o regional, e que não entraram diretamente nas nossas contas. Eu não sei - diz Lacerda.

le afirma ainda que quando assumiu a presidência do PT-DF, em 2001, a seção DF tinha uma dívida de quase R$ 1 milhão relativa a campanhas de 1998, programas do partido e outros débitos. Após estes repasses e negociações com credores, atualmente a dívida alcança R$ 250 mil.

Até a semana passada, porém, Wilmar apenas confirmava que alguns ''repasses não-institucionais'' haviam sido feitos ao partido, mas não precisou valores. Ele chegou a ir ao Banco Central pedir a quebra do próprio sigilo bancário a fim de provar que não foi beneficiado com recursos do suposto mensalão. Os nomes da lista de Simone foram divulgados apenas ontem. Os diretórios de RJ, SC e RS também aparecem na lista da diretora financeira.