Título: Fundos têm pressa em se livrar de teles
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Fonte: Jornal do Brasil, 05/08/2005, Economia & Negócios, p. A20
Envolvidos na crise política por conta dos investimentos realizados nos últimos anos, os fundos de pensão têm pressa em se livrar de ativos nos quais mantêm disputas pelo controle acionário com o Opportunity. A estratégia é assumir a gestão de empresas como Telemig Celular, Amazônia Celular e Brasil Telecom em três meses. Com a mudança, os fundos (Previ, Petros e Funcef, entre outros) pretendem dar os primeiros passos para a venda de sua participação no bloco de controle das teles. No topo da lista, estão Telemig e Amazônia Celular, segundo o diretor da Angra Partners (que representa alguns fundos com participação nas empresas), Alberto Güth.
Segundo Güth, os fundos podem entrar em acordo com o Opportunity - que tomou dos fundos e do Citigroup, por meio de uma engenharia societária, a gestão das empresas - para vender a Telemig, a fim de elevar o preço dos ativos.
- Se o Opportunity não cooperar, vamos assumir a gestão na qualidade de controladores e colocar à venda de qualquer maneira - disse Güth, reconhecendo que a hipótese é a mais provável.
As principais modificações no controle das empresas ocorrerão na presidência e na diretoria financeira, os principais postos estratégicos. A Telemig seria a primeira operadora a ser posta à venda.
- A Telemig precisa fazer parte de uma estrutura de empresas celulares com alcance nacional - enfatiza Güth.
Já a venda da Brasil Telecom deve ficar apenas para 2006. Segundo Güth, os interessados não querem comprar a empresa enquanto a briga entre os controladores não estiver resolvida. Nesta, a disputa ainda envolve a Telecom Italia, controladora da TIM - que, para Güth, é candidata à compra, embora tenha dito que não se interessa mais pelo negócio.
Mas é justamente na BrT que os fundos têm maior pressa. Se a companhia não for vendida até 2007, os fundos poderão ser obrigados a comprar a participação do sócio Citigroup por R$ 1,3 bilhão, conforme acordo fechado em março. Na avaliação do mercado, a opção de venda foi celebrada a um preço muito além de seu valor de mercado. Mas, segundo o diretor da Previ, Sérgio Rosa, o preço obedeceu à valorização dos ativos e inclui um prêmio pelo controle acionário.