Título: Dinheiro vivo para imóvel
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Fonte: Jornal do Brasil, 06/08/2005, País, p. A7
Os parlamentares da CPI dos Correios que investigam o envolvimento de José Dirceu com o esquema de Marcos Valério tem mais um problema para apurar. Ontem, o corretor de imóveis que vendeu o apartamento para a ex-mulher do deputado do PT contou que recebeu a quantia estipulada em dinheiro vivo: notas de R$ 50 e R$ 100.
O apartamento da ex-mulher do deputado José Dirceu foi comprado - segundo a versão oficial - com um financiamento de R$ 42 mil do Banco Rural. O vendedor do imóvel disse ontem que recebeu R$ 139 mil em dinheiro vivo, em notas de R$ 50 e R$ 100 das mãos de Angela Saragosa
O apartamento fica num bairro de classe média de São Paulo e foi comprado em 2003. Ângela Saragoça disse que teve a ajuda Marcos Valério. Ele teria conseguido para ela um financiamento no Banco Rural de R$ 42 mil. Oficialmente, esse foi o valor do negócio, registrado no Segundo Cartório de Imóveis em São Paulo.
O empresário Wellington Lamaita foi quem vendeu o apartamento para Ângela Saragoça. Ele informou que além dos R$ 42 mil do Banco Rural, recebeu mais R$ 139 mil. O valor foi entregue por Ângela Saragoça em dinheiro vivo. O empresário disse que levou muito tempo para contar todo o dinheiro, em notas de R$ 50 e R$ 100.
Wellington disse estranhar que Ângela tenha registrado a compra, em cartório, por R$ 42 mil. O valor, para a Prefeitura, é de R$ 184.620
Para reunir o dinheiro necessário, além de fazer o financiamento no Banco Rural, Ângela vendeu um carro e um apartamento. O comprador foi Rogério Tolentino, que é advogado e sócio de Marcos Valério, donos das agências SMP&B e DNA. Ângela diz que desconhecia esse fato.