Título: O 'Déficit' no Atendimento
Autor: Samantha Lima e Mariana Carneiro
Fonte: Jornal do Brasil, 08/08/2005, Economia & Negócios, p. A17

Alheios à discussão sobre as causas do rombo da Previdência, os beneficiários se atormentam mesmo é para receber o que a Lei lhes garante. Entre os dramas acompanhados pela equipe do Jornal do Brasil, está o da diarista Maria da Glória Gomes, de 49 anos. Afastada do trabalho desde o dia 30 de junho, corre o risco de ter de voltar ao serviço, no fim do mês, sem receber um único benefício de auxílio-doença, ao qual ainda buscava se habilitar. Era sua quinta tentativa de obter informações e, mal orientada, acabou preenchendo errado os documentos.

- Além disso, tento me aposentar há três anos. Quando me casei, eles não mudaram meu nome, e o sistema não registrou minhas contribuições - reclama.

- A gente paga a vida inteira e depois eles inventam uma série de desculpas - critica sua filha Gabriele, de 25 anos, que demorou três meses para conseguir dar entrada na licença-maternidade.

A aposentada Neuza da Silva Gaudietty, de 71 anos, chegou cedo ao posto do INSS. Ela vem enfrentando filas para tentar corrigir os valores da pensão que recebe pela morte de seu marido.

- Devia receber R$ 2 mil, mas só me pagam R$ 1,2 mil. Tudo aqui é difícil. Tenho que entrar na fila até mesmo para uma informação.