Título: Revolta e Remédio no Bolso
Autor: Mariana Carneiro e Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 09/08/2005, Economia & Negócios, p. A17

Aposentado desde os 37 anos, Helcio Carvalho, aos 49 anos, já se acostumou com os entraves do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Vai ao posto todo mês. Ele conta que é obrigado a renovar sua licença a cada dois anos. Com problemas cardíacos, ele sempre leva seu remédio para evitar desmaios nas longas, e desrespeitosas, filas. Ex-operário, depende da sorte de vagas com a perícia médica.

No último mês, esperou quase duas horas para ser atendido e marcar uma audiência com a assistente social. Em vão. Uma estava de férias e a outra, em greve.

- Aqui tudo é muito lento. Tem que ter paciência. Tenho dois filhos. Às vezes, um deles vem comigo para me orientar. Mas eles quase nunca conseguem. Trabalham pesado e não podem ficar faltando, senão são demitidos. Tem documentos que não entendo. Não sei preencher. E aí tenho que enfrentar duas filas. É muito ruim não poder trabalhar - diz Carvalho.