Título: Ex-sócio de Valério contratou prostitutas para festas em Brasília
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 09/08/2005, País, p. A4
Empresário conta detalhes das comemorações, mas diz não saber quem participava BRASÍLIA - O escândalo do mensalão ganhou ontem mais contornos sórdidos. Ao prestar depoimento na Polícia Federal, o empresário Ricardo Machado confirmou ter intermediado festas em Brasília a pedido do sócio Marcos Valério Fernandes de Souza. O empresário não revelou os nomes dos parlamentares que teriam participado das festas, nas quais desfilaram garotas de programa. Ricardo Machado era sócio de Valério na empresa Multi Action, na época das festas. Ele confirmou na PF que ajudou a preparar duas destas, uma em setembro de 2003 e outra em novembro do mesmo ano, período em que tramitavam e eram votadas no Congresso as reformas tributária e previdenciária.
Ricardo cuidava pessoalmente da escolha das ''acompanhantes'' para as festas pagas com o dinheiro da DNA Propaganda e da SMPB Publicidade, a mesma fonte do suposto pagamento do mensalão. Antes da primeira festa, Ricardo escolheu a dedo seis mulheres de programa em um jantar no hotel Gran Bittar. O objetivo era verificar ''o nível'' das garotas. Após a escolha, Ricardo entregou o cartão de Jeany Mary Corner a Marcos Valério. Jeany é apontada pelos investigadores como a cafetina das festas do mensalão.
A PF deve chamar Jeany nos próximos dias para depor. Os investigadores querem saber todos os nomes das pessoas que participaram das tais festas. O local teria sido o hotel Gran Bittar, um suntuoso prédio de 15 andares, no Setor Hoteleiro Sul, de onde se vê pela janela as ''bacias'' do Congresso.
- Queremos saber quem estava presente e se nestas festas era distribuído dinheiro. É necessário investigar se as festas foram feitas como forma de retribuir alguém que pode ter beneficiado o Marcos Valério no governo - explicou um dos investigadores.
Ricardo confirmou na PF que uma das festas exigiu a reserva de dois andares do hotel. Em um dos andares, a turma do mensalão se fartava também de comida. O outro andar era reservado para as pessoas que vinham de outros estados. A primeira festa custou R$ 8 mil só com despesas de ''consumo'', rubrica na qual teria sido incluído o pagamento das acompanhantes. A segunda festa custou R$ 10 mil, mas foi considerada por Marcos Valério um fiasco.
No depoimento, Machado, que estava hospedado no hotel em ambas as ocasiões, disse não ter participado das festas, motivo pelo qual não saberia dizer quem estava presente, como políticos, como se especula em Brasília.
O depoimento de Ricardo teve pontos considerados ''inverídicos'' pelos investigadores. A PF quer mais explicações sobre a sociedade com Valério. Ricardo entrou na empresa e, na hora de deixar a sociedade, recebeu R$ 230 mil.