Título: Relatório aponta corrupção na ONU
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Fonte: Jornal do Brasil, 09/08/2005, Internacional, p. A8

Desvio atingiu programa para Iraque

NOVA YORK - Um relatório da comissão independente da ONU acusa o ex-chefe do programa Petróleo por Alimentos no Iraque, Benon Sevan, de corrupção. Diretores da empresa African Middle East Petroleum (AMEP), teriam subornado Sevan em troca da dotação de petróleo iraquiano durante os anos do embargo. A compra de petróleo iraquiano teria sido feita com um superfaturamento ilegal, violando as regras da ONU, e do programa humanitário. Assim, Sevan teria conseguido obter aproximadamente US$ 150 mil.

O ex-chefe, que pediu demissão do cargo no domingo, vai continuar sendo funcionário da ONU, com salário simbólico de um dólar por ano para manter a imunidade diplomática. O advogado de Sevan, Eric Lewis, disse que seu cliente escreveu uma carta ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, expressando descontentamento por este ''não ter defendido as conquistas históricas do Petróleo por Alimentos'', que vigorou de 1996 a 2003. Sevan, que segundo Lewis trabalhou junto a Annan por 40 anos, também afirmou ser inocente.

O relatório assinado por Paul Volcker analisa também a atuação dos diretores da empresa, a quem acusa de desenhar um ''esquema corrupto'', junto com o francês Yves Pintore, para solicitar subornos a uma empresa interessada em participar do programa, SGS.

Os investigadores asseguram, no entanto, não ter evidências de que a SGS aceitou pagamento de subornos, mas dizem que os acusados puderam pedir pagamentos ilícitos a outras empresas.

Volcker, ex- presidente do Federal Reserve (o banco central americano), pediu ao secretário-geral que suspenda a imunidade diplomática dos principais acusados, para que possam ser processados. No entanto, nenhum dos implicados mantém mais vínculo com a ONU. Sevan, que era o último, pediu demissão domingo do cargo de assessor da ONU.

A investigação tenta também determinar o tamanho da corrupção no programa humanitário, que entre 1996 e 2003 movimentou US$ 64 bilhões. O plano permitiu ao Iraque, a quem a ONU tinha imposto um embargo por causa da ocupação do Kuwait, vender petróleo para comprar bens de primeira necessidade para a população.