Título: Tensão máxima
Autor: Sérgio Pardellas e Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 10/08/2005, País, p. A4

O depoimento do empresário Marcos Valério na CPI do Mensalão foi marcado por discursos subjetivos e por cenas inusitadas. Um dos primeiros deputados a questionar Marcos Valério foi Wladimir Costa (PMDB-PA) que iniciou sua fala com a saudação aos meus 6 milhões de irmãos do Estado. Acabou sendo interrompido por três vezes pelo presidente da CPI, Amir Lando, pedindo objetividade e para que ele tratasse Marcos Valério de senhor, não você.

A cena inusitada coube à senadora Heloisa Helena, que não faz parte da CPI. Ela chegou ao local pedindo a palavra e dizendo ter ido até lá para ¿quebrar os dentes do publicitário¿. Houve um burburinho geral e Marcos Valério ficou espantado. O motivo da ira da senadora é que Marcos Valério, ao ler uma lista de sacadores de recursos na campanha de 98, citou uma certa Heloisa Helena. A senadora disse ter recebido vários telefonemas para avisá-la e chegou lá dizendo ser Lima de Moraes, não Barras Escomini -se referindo ao sobrenome da citada na lista. Seguem alguns dos trechos do depoimento:

Empréstimos

Valério pretende levar a dívida do PT para a esfera legal, caso o partido não assuma o valor corrigido. ¿O PT me deve o valor corrigido, que os bancos estão me cobrando, eu acho que são R$ 100 milhões¿.

Dirceu

Valério conta que o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, contava com o aumento da arrecadação para pagar os empréstimos e que José Dirceu sabia das operações. Ao ser questionado se concordava que o deputado é arrogante e prepotente, responde: ¿Em gênero, grau e número'¿.

Roberto Marques

- Valério disse não saber se a autorização de saque para Roberto Marques diz respeito ao assessor e amigo de Dirceu. Portugal Telecom

Valério negou ter se apresentado como consultor do governo brasileiro, mas confirmou, porém, ter se encontrado com Dirceu 13 dias antes da viagem, em reunião agendada por Delúbio.

Roberto Jefferson

Valério afirmou ter ouvido de Palmieri que o genro de Jefferson, Marcos Vinícius, conhecido como "Nescau'', teria tentado desviar recursos do IRB.

Câmara

- Negou irregularidade no contrato de sua empresa com a Câmara, quando João Paulo Cunha era o presidente.