Título: Marcos Valério apresenta mais 79 nomes à CPI
Autor: Sérgio Pardellas e Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 10/08/2005, País, p. A4

A lista de candidatos que receberam dinheiro das empresas de Marcos Valério na campanha de 1998, entregue ontem pelo publicitário à Procuradoria-Geral da República e à CPI do Mensalão, ampliou o alcance da crise para o PSDB. A lista contempla 79 nomes, a maioria candidatos a deputados estaduais tucanos em Minas Gerais, e totaliza saques de R$ 1,8 milhão, dos R$ 9 milhões em empréstimos declarados por Valério. A lista traz nomes de pelo menos dez políticos do Estado que atualmente exercem mandatos: dois deputados federais, cinco deputados estaduais e três prefeitos.

Entre os destinatários dos recursos das empresas de Valério aparecem um secretário e um subsecretário do governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB): o secretário de Ciência e Tecnologia, Olavo Bilac Pinto Neto, que teria sido agraciado com R$ 20 mil, e o subsecretário de Direitos Humanos, João Batista de Oliveira, contemplado, segundo a lista, com R$ 7 mil. O atual presidente da Fundação João Pinheiro, Amilcar Martins, ligada ao governo de Minas, também teria recebido R$ 6 mil.

Embora atinja parlamentares da oposição, o material coloca na linha de fogo o publicitário de Lula, Duda Mendonça e irmão do atual vice presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Cotta, Cantídio Cotta de Figueiredo teria recebido em 98, R$ 15 mil das empresas de Valério. Cotta assumiu o cargo no início do governo Lula numa indicação do PTB de Roberto Jefferson para a estatal. Duda Mendonça, segundo Valério, teria recebido R$ 4,5 milhões para fazer a campanha do atual senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que na época disputava a reeleição ao governo mineiro.

Pelo documento, figuram ainda como beneficiários os deputados federais e Custódio de Mattos (PSDB), R$ 20 mil e Romeo Anisio Jorge (PP), que teria recebido R$ 100 mil. Paulo Abi-Ackel, filho do relator da CPI do mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) também teria sido contemplado com R$ 50 mil.

A lista também aponta três prefeitos de cidades do interior de Minas como beneficiados: Tarcísio Henriques (PMDB-Cataguases), Marcelo Jerônimo Gonçalves (PDT-Pedro Leopoldo) e Sebastião Navarro (PFL-Poços de Caldas). O ex-chefe do Departamento de Água e Esgoto de Barbacena, Honório José Franco, frequenta o documento como tendo recebido das empresas de Marcos Valério R$ 20 mil. Aparece também como destinatário dos recursos (R$ 6 mil) o ex-deputado em Descoberto e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Elmo Braz Soares. A mais agraciada com recursos de Valério, pela lista, foi Júnia Marise (PDT-MG), candidata derrotada ao Senado. Recebeu dois depósitos: um de R$ 25 mil e outro de R$ 175 mil.

Em depoimento à CPI, Valério disse que os nomes foram repassados a ele por Cláudio Mourão, então coordenador da campanha de Eduardo Azeredo (PSDB), que concorria à reeleição ao governo do estado de Minas Gerais em 1998. A dívida, no entanto, não teria sido quitada até hoje segundo relato de Valério.

- Levei cano do PSDB. Só que na época não valia a pena brigar com o Azeredo porque eles (do PSDB) eram governo e eu corria o risco de perder minhas contas - disse.

Na ocasião, Valério prestava serviços de publicidade ao Ministério dos Esportes, pela SMPB, e Banco do Brasil, Eletronorte e Ministério do Trabalho, por meio da DNA. A lista entregue pelo publicitário foi acompanhada dos respectivos comprovantes do repasse do dinheiro. No total, Valério entregou cerca de 100 documentos à Procuradoria-Geral. Hoje, Valério promete repassar a movimentação contábil de suas empresas à CPI.