Título: Roriz critica governo federal
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Fonte: Jornal do Brasil, 10/08/2005, Brasília, p. D3

Para governador, o ''de lá'' está cada vez menor

De olho no crescimento de seu grupo de apoio diante da crise que atinge o PT, seu maior adversário político no DF, o governador Joaquim Roriz tem feito de seus discursos oportunidades para exaltar sua atuação no Palácio do Buriti. Ontem, durante inauguração da rede de água potável na Feira do Produtor de Ceilândia, Roriz voltou a comparar os dois governos, ressaltando que ''o governo de lá'' está cada vez menor e o ''de cá, cada vez maior'', enquanto rasgava elogios à sua equipe administrativa. - Não sou eu quem faço o governo grande, mas ninguém pode subestimar a inteligência do povo. Tenho uma equipe fabulosa que me ajuda a governar o DF. São mulheres e homens honrados, honestos, limpos. Essa é a diferença - alfinetou Roriz, pedindo aos ceilandenses, em clima de campanha eleitoral, que ''levem as notícias sobre o que fizemos e o que vamos fazer''.

Antecedendo o discurso de Roriz, a vice-governadora Maria de Lourdes Abadia também fez críticas ao governo federal. Ao microfone, disse que ''alguns políticos do lado de lá não terão mais coragem de olhar nos olhos de seus eleitores''.

Embalado pelas palmas do público, o governador ainda levantou três bandeiras de campanha: moradia, saúde e alimentação. Ressaltou que deixará o GDF em breve - para se candidatar a um cargo majoritário, já que não pode tentar um terceiro mandato seguido, ele tem de se desincompatibilizar até abril - e conclamou a população para eleger seu sucessor.

- Ficará no meu lugar, por uma temporada, esta mulher de minha confiança, a Abadia. Depois vamos eleger outro, que vai fazer o que fazemos. Dará apoio aos humildes, aos trabalhadores - disse Roriz, ainda sem declarar o nome do escolhido entre os cinco pré-candidatos. Abadia (PSDB) está no páreo com o secretário da Agência de Infra-Estrutura e Desenvolvimento Urbano, Tadeu Filippelli (PMDB), o senador Paulo Octávio (PFL), o deputado federal José Roberto Arruda (PFL) e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Correia.

Cerca de 2 mil feirantes serão beneficiados com a implantação da rede de água, que ficou pronta em 45 dias e custou R$ 150 mil, segundo a Caesb. São atacadistas hortifrutigranjeiros de pequeno, médio e grande porte, que até então abasteciam seus boxes com água de poços artesianos, apesar de estarem localizados em uma área bastante urbanizada de Ceilândia e de já contarem com rede de esgoto. Aproximadamente 2 mil toneladas de alimentos de todo o País são comercializados ali todo mês.

Promessa - Antes de deixar o palanque, o governador prometeu na semana que vem visitar o setor habitacional de Sol Nascente, em Ceilândia, para assinar a ordem de serviço para iniciar a rede hidráulica. No local vivem 15 mil famílias, e alguns moradores foram ontem à feira levando faixas com os pedidos. De acordo com o prefeito comunitário Josias José de Castro, cerca de nove mil famílias fazem gambiarras para ter energia elétrica em casa e todos são abastecidos com água de poços artesianos. Sem rede de esgotos, os 80 mil moradores, que vivem irregularmente na área, são acometidos por diversas doenças relacionadas a água contaminada. Josias conta ainda que vai apelar ao Ministério Público para que ajude o GDF a regularizar o setor. A maior dificuldade é a transferência das 1,5 mil famílias que têm suas casas sobre minas d'água.