Título: Federais têm pistas de ladrões do BC
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 10/08/2005, País, p. A7

Uma força tarefa foi criada ontem para desvendar o assalto ao cofre do Banco Central de Fortaleza, realizado no fim de semana e de onde foram levados R$ 156 milhões. A equipe tem 100 homens das policias federal, civil, militar e rodoviária. Auditores do Banco Central vão ajudar nas investigações. Prometido desde segunda-feira, a Polícia Federal só deve divulgar hoje o retrato falado de três dos criminosos. Dez pessoas prestaram depoimento na sede da Superintendência da PF do Ceará.

Segundo peritos da PF, após o crime, os assaltantes jogaram um pó branco, possivelmente cal, em todos os móveis, para atrapalhar a localização de digitais, mas mesmo assim os técnicos da federal localizaram impressões nos armários e no interfone que podem levar a polícia até os assaltantes.

Enquanto cavavam o túnel, prepararam paredes falsas, de gesso, para esconder a terra que estavam retirando. Apenas durante a perícia as paredes foram localizadas. Parte do jardim também foi aterrado.

A casa é antiga e grande, com cerca de 70 metros. Na entrada, uma sala extensa e duas ante-salas, onde foram colocados móveis de escritório. Lá também havia alguns blocos de grama artificial, usadas como negócio de fachada para não despertar suspeitas.

O túnel começou a ser feito no último cômodo da casa, após a cozinha e ao lado do quintal. No local, foi instalado um ar-condicionado conectado a um cano, que levava ar frio à escavação.

Apesar disso, segundo policiais que estiveram no túnel, o local é bastante quente, o que justifica a quantidade de garrafas vazias de isotônicos, de água mineral, de fortificantes e até pomadas contra assadura.

De acordo com os agentes da PF, os assaltantes usaram bacias metálicas para retirar os R$ 156 milhões. Nas diversas bacias apreendidas na casa, haviam furos que podem ter sido usados para interligá-las, como vagões de trem, e facilitar a retirada do grande volume de dinheiro.

O local está sendo mantido intocado pela PF. Há muito lixo espalhado, restos de comida, alimentos estocados, roupas pelo chão, botas e luvas plásticas.

A casa havia sido alugada por uma pequena imobiliária de Fortaleza. Cláudio Jereissati, dono da imobiliária, não foi encontrado ontem para falar sobre esses seus ex-inquilinos.

Para os policiais, a qualidade da obra de engenharia feita pelos ladrões revela que a quadrilha é profissional. As paredes são sustentadas por madeira e concreto. Passam vários tubos que levam água, eletricidade e até ar condicionado para que os assaltantes pudessem trabalhar com algum conforto.

O presidente do Sindicato das Empresas de Segurança de São Paulo, José Jacobson Neto, disse que é um fato muito grave e que deve ser apurado as falhas no sistema de monitoramento, que não acusou o rompimento do piso nem a movimentação de pessoas no local.