Título: Presidente em clima de campanha eleitoral
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 11/08/2005, País, p. A5

Sem fazer menção à crise política por que vem passando o governo, Luiz Inácio Lula da Silva visitou ontem quatro cidades de Tocantins. O clima era de campanha pela reeleição: o presidente abraçou populares, discursou em diversos eventos - entre obras e inaugurações - alfinetou a gestão de Fernando Henrique Cardoso e prometeu estudar as reivindicações feitas por políticos e eleitores. - Eu sou daqueles que preferem perder o voto a perder a vergonha - disse, na inauguração do Hospital Geral de Palmas, relembrando a eleição de 1989 - quando, segundo ele, deixou de fazer as promessas que não tinha certeza de poder cumprir. Durante o discurso, parlamentares ligados ao ex-governador Siqueira Campos que estavam presentes foram bastante vaiados pela platéia inquieta.

Já na visita às obras da Usina Hidrelétrica Peixe Angical, Lula usou o apagão ocorrido em 2001 para criticar o governo anterior, de Fernando Henrique (1995-2002):

- Aquilo foi uma vergonha nacional. Mas nunca mais no país haverá apagão, porque ele é a negação do discurso desenvolvimentista que alguns fazem - declarou, sob o calor de quase 40 graus, a cerca de 500 operários.

Os ataques a seu antecessor ocorrem justamente quando os próprios auxiliares de Lula avaliam que o momento atual deve ser usado para criar um clima de governabilidade no país, e não insistir em críticas via palanques - como o ocorrido na semana passada em Pernambuco, quando Lula disse ''eles (oposição) vão ter que me engolir outra vez''.

Ainda em Peixe (a 380 km de Palmas), o presidente cobrou ''seriedade'' dos governantes.

- Para convencê-los (os empresários estrangeiros) a virem para o Brasil, nós temos que, primeiro, mostrar seriedade.

As paradas seguintes foram em dois trechos em obras de rodovias federais: Aparecida do Rio Negro e Gurupi. Na última (a 300 km da capital do Estado), Lula conferiu o andamento da recuperação da BR-153 (Belém-Brasília) e voltou a dizer que vai manter o atual ritmo de viagens pelas cidades brasileiras, apesar das críticas da oposição que o acusam de usar a máquina para fazer campanha.

- Nós vamos continuar viajando pelo país, para mostrar as coisas que estamos fazendo. Porque muitas vezes as pessoas não querem enxergar - disse ele, para os cerca de 2 mil pessoas que se amontoavam ao redor do minipalanque montado sobre o asfalto da rodovia. Desde que finalizou a segunda reforma ministerial, mês passado, Lula já visitou 18 cidades - numa média de quase uma a cada dia.

Tanto antes como depois do discurso, o presidente mais uma vez quebrou o protocolo para agradar o público, permanecendo por cerca de dez minutos colado numa grade para beijar, abraçar, dar autógrafos e falar com os presentes. Diante de fotógrafo, porém, Lula fingiu não ver três bandeiras petistas que manifestantes tentavam lhe entregar.