Título: Indústria do Rio exporta abaixo da média nacional
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 14/08/2005, Economia & Negócios, p. A19
A balança comercial vem batendo seguidos recordes desde o ano 2000. No ano passado, o país exportou o recorde de US$ 96 bilhões e a expectativa para 2005 já supera com folga os US$ 100 bi. A indústria acompanhou de perto essa evolução e destina a cada ano uma parcela crescente de sua produção para o mercado externo. No ano passado, o setor industrial brasileiro exportou 23,8% de tudo o que produziu. Para se ter uma idéia, em 1996 este percentual era de apenas 13%.
Mas a indústria fluminense não alcançou o mesmo nível de internacionalização do restante do país. O Índice Firjan de Produção Exportada (IFPE), criado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro para acompanhar o desempenho dos vários setores no país, mostra que as exportações do estado atingiram 17,5% da produção em 2004.
A pesquisa trimestral da Firjan revela que o Rio de Janeiro, com um grande mercado interno, composto em geral por pequenas empresas, não possui nenhum setor industrial com alto IFPE - exportação de mais de 30% do que é fabricado. No primeiro semestre deste ano, os que mais se aproximaram do teto de 30% foram Veículos Automotores e Fabricação de Coque e Refino de Petróleo, com 25% e 23,7% da produção destinada ao mercado externo, respectivamente.
O setor de Fabricação de Produtos Alimentícios, por exemplo, tem um IFPE no Rio de Janeiro equivalente a um décimo do desempenho total do país - 2,9% e 29,6%, respectivamente.
- O setor de alimentos no Rio tem a predominância de empresas pequenas. Além disso, os alimentos mais importantes da pauta de exportação, como carne bovina, frango e soja, não são produzidos em larga escala no Rio - diz Luciana Sá, chefe da Assessoria de Pesquisas Econômicas da Firjan.
Luciana, no entanto, ressalta que o Estado do Rio, embora ainda apresente números mais modestos que os nacionais, segue a tendência de aumento da parcela de produção exportada.
- O Rio não fugiu dessa tendência e mais do que duplicou a parcela exportada, que era muito baixa. A expectativa é de que o crescimento continue.
Um exemplo é o Laboratório B. Braun, que exporta de sua unidade em São Gonçalo desde o final dos anos 70. No ano passado, as vendas ao exterior de tubos plásticos e equipamentos eletrônicos utilizados em hospitais atingiram os US$ 2 milhões. Para 2005, a expectativa é de US$ 2,6 milhões. Ainda pouco, se comparado aos US$ 80 milhões faturados no mercado interno, mas a expectativa é de crescimento.
- A nossa balança ainda é negativa, mas o objetivo é sempre melhorar a performance das exportações, num ritmo de 30% ao ano - revela o diretor de exportação do B. Braun, Carlos Louzada.
O desempenho do laboratório fica em linha com o comportamento do setor de Produtos Farmacêuticos, que no Brasil exportou 4,4% da produção de janeiro a junho. No Rio, porém, o IFPE foi de 3% no primeiro semestre.
O grande destaque da série no Rio de Janeiro fica mesmo por conta do setor de Fabricação de Coque e Refino de Petróleo, que praticamente quintuplicou o percentual de produção exportado de 1999 para o primeiro semestre de 2005. No período, o IFPE do setor no estado passou de 5,1% para 23,7%, enquanto no país o aumento foi mais modesto, de 3,1% para 9%.
Mas há também empresas de outros ramos que conseguem bons resultados com as exportações. A petroquímica Nitriflex, com sede no pólo de Duque de Caxias, exporta 60% do que produz, embora ainda fature mais com as vendas no mercado interno. No ano passado, foram exportados 15 mil toneladas de produtos de borracha e a expectativa para 2005 é de crescimento para 17 mil toneladas.
- Dependemos das exportações para nos manter - resume Sofia Costa, gerente de exportação da empresa, que é especializada na produção de mangueiras e equipamentos de revestimento para a indústria automobilística, máquinas e impressoras.