Título: Ex-assessor de Antonio Palocci é preso
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 18/08/2005, País, p. A5

O advogado Rogério Tadeu Buratti - ex-secretário do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, quando este era prefeito de Ribeirão Preto - foi preso ontem na Delegacia Seccional de Ribeirão Preto. Ele é acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e destruição de provas, num esquema de compra e venda de fazendas e de duas empresas de ônibus. Buratti foi encaminhado ainda ontem para o Centro de Detenção Provisória de Ribeirão Preto.

O advogado chegou bem humorado à delegacia onde seria ouvido em outro inquérito: o que apura a existência de um esquema de fraudes em licitações de limpeza pública em São Paulo e em Minas Gerais. Durante o depoimento, foi decretada a prisão preventiva por cinco dias. Segundo os promotores, Buratti foi flagrado em grampo telefônico dando ordens ao corretor Claudinei Mauad para destruir provas dos negócios ilegais. Mauad, que seria o operador do advogado, foi preso ainda ontem em São Joaquim da Barra e levado para Ribeirão Preto.

Segundo o promotor Sebastião Sérgio da Silveira, as acusações que levaram ao pedido de prisão não se referem ao período em que ele foi secretário municipal de Palocci. A prisão foi decretada depois que o corretor de imóveis Claudinei Mauad foi flagrado tentando destruir provas quando policiais civis e promotores foram realizar uma busca em sua casa. Segundo Silveira, Mauad seria operador de Buratti, que hoje será interrogado sobre o caso.

Além do processo que o levou à prisão ontem, Buratti é acusado, junto com o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, de ter tentado extorquir R$ 6 milhões da Gtech para garantir para a empresa a concessão da exploração das loterias da Caixa Econômica Federal. Em seu depoimento à CPI dos Bingos, Buratti negou que tenha sido responsável pelo pedido de propina a dirigentes da Gtech.

O procurador Sebastião Silveira disse que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras rastreou movimentações no exterior supostamente irregulares. Com esta informação, o Ministério Público obteve autorização para realizar as escutas telefônicas, que gravaram Buratti pedindo que Mauad eliminasse provas sobre a aquisição de uma fazenda no município de Buritizeiro, em Goiás, e duas empresas de ônibus, de nome Fadel e avaliadas em R$ 2,6 milhões, uma em Rancharia e outra em Presidente Venceslau, ambas no Estado de São Paulo.

- Com interceptações telefônicas, comprovamos que Buratti estava tentando destruir provas - afirmou Silveira.

A prisão temporária foi deferida pelo juiz Luís Augusto Freire Teotônio, da Vara de Execuções Criminais de Ribeirão, e é válida por cinco dias mas pode ser prorrogada ou pedida a prisão preventiva, de até 30 dias. Segundo os promotores, a denúncia contra Buratti deve ser oferecida em uma semana.

Buratti, que declarou possuir um patrimônio de R$ 1,2 milhão, fez várias transações nos últimos três anos, segundo a Promotoria: de uma fazenda em Ituverava, avaliada em R$ 280 mil, passou para outra, em Pedregulho, de R$ 600 mil. Depois, trocou por uma em Buritizal, de R$ 1,2 milhão, e entrou no negócio das empresas de ônibus, pagos à vista.

- Ele declarou que adquiriu a empresa, só que por R$ 200 mil, mas nos documentos que apreendemos consta a transação de R$ 2,6 milhões - afirmou o promotor Aroldo Costa Filho.

Esses contratos seriam evidências da lavagem de dinheiro. ''Todos os contratos que encontramos eram de gaveta'', disse. A troca das fazendas pelas empresas de ônibus seria outro indício da lavagem, na sua opinião. ''Para fiscalizar, é muito difícil'', disse.

O advogado de Rogério Buratti, Roberto Telhada, considerou ''desnecessária e um exagero'' a prisão de seu cliente, que saiu algemado e não deu declarações. Telhada disse que deve entrar amanhã com pedido de habeas-corpus e que não pode comentar a decisão do juiz por não conhecer o teor do pedido de prisão.