Título: Severino socorre o governo
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Fonte: Jornal do Brasil, 17/08/2005, País, p. A3

BRASÍLIA - Para evitar que o Planalto sofresse uma nova derrota, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), encerrou a sessão que iria votar ontem a medida provisória (MP) do salário mínimo. Na semana passada, o Senado aproveitou a desarticulação do governo e elevou a proposta de elevação do mínimo para R$ 384,29. Esse valor é superior à proposta original do governo que elevou o mínimo de R$ 260 para R$ 300. A manobra foi utilizada por Severino, após perceber que o acordo fechado pelo colégio de líderes ¿ para manter o mínimo em R$ 300 ¿ poderia ser descumprido. No acordo fechado no fim da tarde, ficou acertada que a votação seria simbólica (sem o registro nominal de votos). A tendência era manter o valor que consta da medida provisória do governo, R$ 300. No entanto, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) conseguiu reunir mais de 32 assinaturas para pedir a verificação de quorum.

Com isso, a votação teria de ser nominal em vez de simbólica. Dessa forma, as chances de uma nova derrota ao governo seriam maiores, já que muitos deputados não querem ver seu nome vinculado a um tema como esse. Ou seja, ser responsável pela redução do valor do salário mínimo.

À tarde, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que o presidente da Câmara tentava capitanear a proposta dos R$ 300 para atender ao ¿patrão¿, numa referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

¿ Patrão quem tem é ele porque eu não tenho nega como ele ¿ respondeu Severino Cavalcanti

Se hoje os deputados referendarem a decisão do Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá vetar o aumento. Há também a possibilidade da medida caducar sem ser votada ¿ a medida vence sexta-feira, mas nesse dia não há sessão.

Nos dois casos, o mínimo voltaria a R$ 260. Para evitar isso, o governo pode enviar ao Congresso um projeto de lei que garanta o salário mínimo de R$ 300 ou uma MP com um valor muito próximo.

Em 1º de maio, o mínimo foi reajustado de R$ 260 para R$ 300. O impacto de uma elevação para R$ 384,29 retroativa a maio seria de R$ 15,966 bilhões só nas contas da União.