Título: Equipe da UnB projeta primeiro avião
Autor: Lorenna Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 22/08/2005, Brasília, p. D1

Verde, azul e branco. As cores símbolo da Universidade de Brasília (UnB) colorem o avião da equipe Draco Volans. Formada por 17 alunos de Engenharia Mecânica da UnB, a equipe participa pela segunda vez da 7ª Competição SAE Brasil Aeorodesign, uma das mais importantes em design de aeronaves para estudantes do Brasil, que acontece de 23 a 25 de setembro em São José dos Campos (SP). - Nós fomos a primeira equipe do centro-oeste a participar da competição no ano passado, e ficamos em 12º lugar entre 61 concorrentes. Para a gente, o resultado foi surpreendente e esperamos superá-lo este ano - afirma Tiago Macedo, 21 anos, capitão da equipe.

Para participar da competição, os futuros engenheiros têm que construir um avião rádiocontrolado dentro de limites determinados: envergadura da asa de 152 cm, motor de 0.61 cilindros e que carregue no mínimo 3kg de carga. O desafio, então, é decolar de uma distância máxima de 61m e carregar o máximo de peso possível.

- A avaliação é dividida em várias etapas. Carregar bastante peso é importante, mas também tem que se sair bem na apresentação oral e na exatidão do projeto - explica Tiago.

As equipes que ficarem em primeiro e segundo lugares ganham a oportunidade de participar de um concurso semelhante nos Estados Unidos no ano que vem com as despesas pagas.

- A competição é muito difícil principalmente porque as equipes primeira e segunda colocadas no campeonato norte-americano são brasileiras e estão no páreo - conta.

O trabalho da Daco Volans começou em setembro do ano passado, mais de um ano antes da competição. Daí, a equipe partiu para a captação de patrocínio para bancar os R$ 4 mil de custo do projeto. Para que nada saísse errado, a equipe produziu primeiro um protótipo, cujo vôo inaugural foi em julho. Por precaução, a equipe construiu dois aviões, no caso de o titular ter algum problema. Um dos aviões já está pronto e o segundo deve ser terminado em uma semana.

- É um projeto muito complexo, muitas vezes temos que usar conhecimentos específicos que ainda não adquirimos na faculdade - afirma.

Apesar da trabalheira, Tiago acredita que a recompensa valha a pena.

- É um projeto que complementa a carreira de um engenheiro. Quando eu me formar, não vou ter apenas o conhecimento teórico, mas também o prático, como noções de tempo de execução e de custos de projetos - garante.

Exemplo - O sucesso da Draco Volans no ano passado estimulou outros alunos a participar da competição. Também estudantes de Engenharia Mecânica, 14 estreantes formaram a equipe CT-21. A equipe resolveu investir em novas tecnologias, como a madeira lite-ply, que deixa a aeronave mais leve.

O capitão da equipe, Mário Nogueira, 21 anos, conta que a idéia de participar da disputa nasceu de uma frustração.

- Sempre fui fascinado por aviação e queria ser piloto de aeronaves quando era mais novo. Acabei desistindo, muito por causa da falta de emprego na área, e me interessando pela engenharia. Projetar aviões, agora, é um meio de retomar esse sonho - acredita.

Mário recrutou os amigos em setembro do ano passado, mas o projeto só começou a ser feito em junho, depois de a CT-21 conseguir patrocínio. Para que o avião fique pronto a tempo, a equipe agora trabalha de 30 a 40 horas por final de semana.

- Não temos tempo durante a semana, porque todos estudam ou trabalham. Por isso, passamos os fins de semana trabalhando quase que sem dormir ou comer - garante.

A CT-21 ainda não terminou nenhum dos dois aviões que pretende levar para a competição.

- Estamos muito ansiosos. Por mais detalhado que seja feito o projeto, existe um risco de 60% de o avião cair, o que nos deixa bastante nervosos - conta.

Ainda com muito trabalho pela frente, Mário já contabiliza os benefícios do empreendimento.

- Aprendi a trabalhar em equipe, o que é uma habilidade extremamente importante na atualidade. Estou certo de que quero continuar nessa área, e me tornar um projetista de aeronaves - sonha.