Título: Real forte encolhe lucro da Petrobras
Autor: Ricardo Rego Monteiro e Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 17/08/2005, Economia & Negócios, p. A20
Resultado teria sido R$ 1 bilhão superior sem desvalorização do dólar, que causou perdas no exterior. Ações caem quase 2%
O lucro histórico de R$ 9,9 bilhões que a Petrobras registrou no primeiro semestre deste ano não foi suficiente para satisfazer os investidores. Ontem, as ações preferenciais e ordinárias da empresa fecharam em queda de 1,69% e 1,99%, respectivamente. Os analistas aguardavam um lucro superior em pelo menos R$ 1 bilhão. O diretor financeiro da petroleira, Almir Barbassa, admitiu que o resultado da companhia foi afetado pela apreciação de 12% do real frente ao dólar no último trimestre. Não fosse por isso, admitiu, o lucro poderia ter sido R$ 1 bilhão superior. Barbassa atribuiu o impacto cambial às operações de crédito direto da matriz com as subsidiárias internacionais. Ao receber de volta esses recursos, como pagamento, a empresa contabilizou o prejuízo.
Se o câmbio afetou o resultado da companhia nos seis primeiros meses deste ano, os preços do petróleo no mercado internacional acabaram por favorecer indiretamente os resultados do refino da companhia. As margens de lucro do barril de derivado processado a partir de óleo pesado estão cinco vezes maiores que as de combustíveis feitos com petróleo leve, do tipo Brent. Isso porque, no segundo trimestre, o barril de óleo pesado custou em média US$ 43, enquanto o Brent valeu US$ 51. Com isso, cada barril de combustível proveniente de petróleo pesado rendeu US$ 10 ao mesmo tempo em que o lucro com a mesma quantidade de derivados processados com óleo do tipo Brent foi de apenas US$ 2.
Ontem, Barbassa comentou o último balanço da companhia, divulgado segunda-feira à noite. O executivo admitiu a possibilidade de o país encerrar o ano como exportador líquido de petróleo e derivados, apesar de toda a cautela ao abordar o tema. Ele disse que tal desempenho ''depende do mercado'', em função da possibilidade de aumento do consumo de derivados no país.
Além disso, acrescentou que será contabilizado um aumento do processamento de petróleo nacional por refinarias da empresa no segundo semestre. Com isso, explicou Barbassa, deverá sobrar menos óleo para exportação. No primeiro semestre, algumas refinarias tiveram suas operações paralisadas para manutenção, o que contribuiu para um aumento dos excedentes exportáveis.
Com relação à perspectiva de auto-suficiência da produção de petróleo, o gerente executivo de Portfólio de Exploração e Produção, José Luiz Marcusso, afirmou que existe a possibilidade de a empresa encerrar o ano com uma produção superior ao consumo total do país. Ele esclareceu, porém, que só por volta de abril e maio do próximo ano será possível alcançar a verdadeira auto-suficiência, quando a produção média no ano estiver superior à média do consumo.