Título: CPI deflagra a operação abafa
Autor: Paulo de Tarso Lyra
Fonte: Jornal do Brasil, 19/08/2005, País, p. A3
Ontem foi um dia de vitórias do governo na CPI dos Correios. A bancada governista conseguiu evitar a convocação do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, do ex-secretário de Comunicação Estratégica Luiz Gushiken e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Okamotto teria pago um suposto empréstimo de R$ 29 mil do PT para o presidente Lula. Os integrantes da CPI descartaram também nova audiência com o doleiro Toninho da Barcelona, preso em São Paulo e condenado a 25 anos de prisão por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em depoimento a integrantes da CPI, em São Paulo, Toninho afirmou ter participado de operações de remessas de dinheiro para o exterior, feito por petistas e outras autoridades. Não apresentou, contudo, provas. A oposição queria ouvi-lo novamente em sessão pública. Foi derrotada.
Na discussão, os governistas tentaram descredenciar o depoimento que Toninho.
- É o primeiro doleiro que vejo que tem especialização partidária - disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS).
A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) ironizou:
- Pelo amor de Deus ou de Karl Marx! Que se ache um doleiro que trabalhou para o PSDB. Ninguém agüenta mais isso!
O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) acusou o governo de montar uma operação abafa.
- Abafa não. Queremos evitar a molecagem de tentar, a qualquer preço, incluir o presidente nesta história - protestou Jorge Bittar (PT-RJ).
Outra vitória importante do governo foi o envio de 40 requerimentos para a CPI do Mensalão, incluindo a convocação de Daniel Dantas, do grupo Opportunity, e outros nomes ligados ao escândalo.
Apesar da operação governista, foi aprovado em bloco, por consenso e em votação simbólica, um pedido que atinge o presidente Lula. Foi solicitada cópia da ata da reunião do conselho diretor da Telemar na qual foi aprovada a compra de ações da empresa Gamecorp. A empresa pertence a Fábio Luiz, filho de Lula, e há suspeita de tráfico de influência.
Toda confusão começou quando os deputados Antonio Carlos Magalhães Neto e Onyx Lorenzoni (PFL-RS) pediram preferência para votar a convocação e quebra de sigilo bancário de Okamotto. Os pefelistas argumentaram ser necessário comprovar a operação e o registro nas declarações de Imposto de Renda, sob risco de o presidente ter cometido crime fiscal. A estratégia dos dois era ''expor a operação-abafa'' do governo. Petistas gritavam ''moleques''.
O governo, que tem a maioria dos integrantes na CPI, ganhou com margens apertadas, contando até com o voto do relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que foi criticado.
De última hora, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) conseguiu tirar da lista pedido que investigaria supostas viagens do filho de Lula ao Japão antes de fechar negócio com a Telemar.