Título: Investimento estrangeiro cresce 53%
Autor: Silmara Cossolino
Fonte: Jornal do Brasil, 19/08/2005, Economia & Negócios, p. A22
A crise política foi insuficiente, até o momento, para afastar o investimento estrangeiro produtivo. Em julho, o país conseguiu atrair US$ 2,035 bilhões, um avanço de 53% em relação a 2004. Entre janeiro e julho, o resultado do ingresso de capitais somou US$ 10,601 bilhões, valor 90% superior aos US$ 5,645 verificados nos sete primeiros meses de 2004.
Para agosto, a expectativa de ingresso de investimento estrangeiro direto é de US$ 1,8 bilhão. Até ontem, segundoo diretor do Banco Central, Altamir Lopes, os ingressos líquidos já somavam US$ 1,3 bilhão.
- Os investimentos estrangeiros estão fluindo de forma bem significativa e estão em linha com o aumento do investimento doméstico - avaliou Lopes, explicando que o investidor costuma estar mais atento ao cenário de longo prazo, descartando contaminação política.
Do total ingressado no país em julho, 36,9% referem-se à indústria; 59,1% à área de serviços e 4% estão relacionados à agricultura, pecuária e extrativa mineral.
Nem todo o investimento recebido no mês passado, porém, se traduziu na entrada de dinheiro no país. Isso porque parte dele foi realizada por meio de operações em que as empresas pagam as dívidas com suas próprias ações - sem ingresso efetivo de dólares. Essas operações atingiram 34% do resultado.
Outro dado que chamou atenção nas contas externas foi o resultado recorde verificado nos gastos brasileiros no exterior, motivado pelo dólar em queda - o que estimula as viagens para fora do país. Em julho, os brasileiros gastaram US$ 486 milhões - cifra 64% superior à registrada em janeiro.
As transações correntes - saldo da balança comercial e de serviços - brasileiras apresentaram superávit de US$ 2,592 bilhões em julho. Este é o melhor resultado mensal já registrado, de acordo com o BC. O bom desempenho foi influenciado pelo superávit recorde de US$ 5 bilhões obtido pela balança comercial brasileira no mês passado.
No ano, o saldo em transações correntes está superavitário em US$ 7,876 bilhões e no ano deve ficar em US$ 4 bi. A projeção inicial para 2005, de US$ 4,8 bi, foi reduzida pelos gastos no exterior.
O resultado global do balanço de pagamentos ficou deficitário em US$ 5,009 bilhões no mês passado, resultado da antecipação de pagamentos do país ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de US$ 5 bilhões.
Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, um dos pontos que merece destaque no balanço é o resultado da dívida externa.
De acordo com nota do Banco Central, a dívida externa total teve uma redução de US$ 3,635 bilhões, passando de US$ 201,992 bilhões, em março, para US$ 198,287 bilhões.
As reservas internacionais líquidas reduziram-se em US$ 5,2 bilhões, totalizando US$ 54,7 bilhões. Segundo o BC, é resultado da amortização antecipada de US$ 4,976 bilhões ao FMI.