Título: Palocci no alvo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 20/08/2005, País, p. A3

Ex-assessor diz que ministro recebia propina de empresa de lixo, quando era prefeito

Arquivo JB 'O modo como foram dadas as declarações podem prejudicar o bom andamento das investigações'

Em depoimento à polícia e a um grupo de promotores, o advogado Rogério Tadeu Buratti, que estava preso desde a última quarta-feira, acusou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de receber R$ 50 mil mensais de uma empresa da área de limpeza pública quando era prefeito de Ribeirão Preto. Palocci negou ''com veemência'' as informações. - O dinheiro era recebido a mando do ministro Palocci pelo ex-secretário Ralf Barquete (Santos, ex-secretário da Fazenda de Ribeirão) - disse o promotor Sebastião da Silveira a jornalistas em Ribeirão Preto, onde ocorreu o depoimento de Buratti.

- Buratti diz que o dinheiro era destinado ao prefeito e ele ouviu do Ralf que Palocci determinou a entrega desse dinheiro ao diretório do PT - afirmou Silveira, acrescentando que os valores eram entregues ao então tesoureiro do PT Delúbio Soares. O delegado Benedito Antonio Valencize, de Ribeirão, disse que existem provas de fraudes cometidas pela Leão Leão.

O Ministério da Fazenda divulgou nota na qual Palocci nega com veemência ter recebido propina daempresa, a Leão & Leão ou que o ex-secretário Ralf Barquete, morto no ano passado, tivesse recebido recursos ilegais e os repassasse para o diretório nacional do PT.

Palocci reconheceu apenas ter recebido contribuições à sua campanha da Leão & Leão, ''o que está devidamente registrado na prestação de contas levada ao Tribunal Regional Eleitoral'', segundo a nota do ministro.

O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, disse, por meio de sua assessoria, que Palocci é um homem público de respeitabilidade e que merece total confiança. Na avaliação de Wagner, Buratti está querendo se valer da delação premiada para fugir de suas responsabilidades. Em nota, o Grupo Leão & Leão também rejeitou as acusações de Buratti, confirmando apenas as contribuições de campanha.

Após o depoimento à polícia e ao Ministério Público, o advogado Rogério Buratti - que era o operador do repasse de recursos de empresas de lixo para diversas prefeituras - foi libertado. Na saída, disse que, se cometeu algum erro, ''foi por razões políticas, por um projeto político''.

Na pag. A4, Buratti diz que bingos deram dinheiro para campanha e Lula. Na pag. A17, nome de Palocci na crise mexe com mercado financeiro.