Título: Longa espera no Miguel Couto
Autor: Waleska Borges
Fonte: Jornal do Brasil, 20/08/2005, Rio, p. A13

Na espera por uma cirurgia ortopédica, dezenas de pacientes lotam as enfermarias do Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon. Alguns deles, por falta de próteses, já estão internados há três meses. Em vistoria na unidade, ontem pela manhã, o vereador Carlos Eduardo (sem partido), constatou que pelo menos 50 pessoas aguardam internadas as cirurgias ortopédicas. Na inspeção, o vereador também flagrou pacientes com câncer mantidos no hospital por ausência de vagas em unidades federais especializadas. O vereador também denunciou a falta de reagente para hemograma - exame de sangue que detecta doenças como anemia e infecção. Os cerca de 250 exames diários teriam sido reduzidos em 90%. - A emergência do Miguel Couto atende cerca de mil pacientes por dia. Pelo menos 25% deles precisam de fazer o hemograma. Há uma semana os exames estão sendo feito apenas para os casos mais graves - alerta o vereador.

Na inspeção, foram flagrados três pacientes com tumores ósseos à espera de transferência para outra unidade. Um dos pacientes é uma mulher com tumor no pulmão e metástase cerebral, que espera por uma vaga desde o dia 27 do mês passado.

- Estes pacientes com câncer estão sem tratamento específico. O Miguel Couto é uma unidade de emergência e não tem drogas quimioterápicas nem radioterapia - lamenta o vereador, informando que os pacientes poderiam ser atendidos nos hospitais da Lagoa, Cardoso Fontes, Andaraí e no Inca.

Segundo a assessoria de imprensa do Hospital da Lagoa, a solicitação para transferência dos pacientes foi feita apenas para aquela unidade. O pedido, no entanto, teria ocorrido na gestão da antiga direção. Ontem, após conversas com a direção do Miguel Couto, ficou acertada a transferência dos pacientes.

Há 45 dias internada no Miguel Couto, a aposentada Maria Feliciano, 64 anos, espera por uma cirurgia no punho esquerdo. Segundo Carlos Eduardo, faltam próteses para as cirurgias devido à ausência no pagamento com as empresas fornecedoras.

- Estou no hall dos esquecidos. Sou viúva, não tenho filhos e preciso trabalhar para pagar minhas contas - lamenta Maria.

Durante a visita no hospital, segundo Carlos Eduardo, também foram vistos 30 pacientes sociais - aqueles que não têm para onde ir quando recebem alta - à espera de um abrigo público. A Secretaria Municipal de Saúde informa que os pacientes não foram liberados porque dependem de cuidados que não teriam nos abrigos. O município também informa que as cirurgias ortopédicas começaram a ser normalizadas ontem. O deputado Paulo Pinheiro, vice-presidente da Comissão de Saúde da Alerj, informou que as condições de superlotação e falta de material encontradas no Miguel Couto se repetem em outras unidades da rede pública.