Título: De Dois Córregos para os Sete Mares
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/08/2005, Caderno B, p. B6
Entrevista: Torben Grael.
Enquanto a maioria dos políticos brasileiros pensa em dar a volta no povo, este navegante só pensa em dar a volta ao mundo. Enquanto o governo faz água, Torben singra os mares em veleiros velozes. Na quarta-feira ficou pronta sua nova embarcação, a Brasil 1, que ontem zarpou rumo à Europa para participar do Volvo Ocean Race, competição que dura oito meses e na qual se percorrem 57 mil quilômetros circundando o globo terrestre. Numa mesa ao sol, num gramado de frente para a Baía de Guanabara, e diante de seu barco azul içado sobre plataformas da Marina da Glória, Torben Grael conversou conosco sobre esta e outras regatas, sua coleção de medalhas olímpicas, sua família marítima e o esporte da vela. Aos tripulantes da Nau do B ¿ Capitão Ziraldo, Ricky Goodwin, Zezé e Paula Sack e Antonia Leite Barbosa ¿ juntaram-se dois navegadores da editoria de Esporte do JB: Palhinha e Flávia Diuana. Neste depoimento, o leitor vai descobrir quem é o verdadeiro comandante do Brasil. Bem, pelo menos do Brasil 1, o que não perde o rumo. (Ricky Goodwin)
Ziraldo ¿ Como é que começa a saga marítima no Brasil dos Grael e dos Schmidt?
Torben Grael ¿ Meu pai era de Dois Córregos, interior de SP, descendente de austríacos, e foi pára- quedista do Exército.
Ricky Goodwin ¿ Vocês começaram então a navegar nos córregos?!
Ziraldo ¿ Saíram do interior do Brasil pra atravessar oceanos!
Torben ¿ O lado náutico da família é o Schmidt, do meu avô materno, que era dinamarquês.
Palhinha ¿ São todos descendentes de vikings!
Torben ¿ Ele era engenheiro civil, veio ao Brasil fazer uma obra, se apaixonou e ficou aqui.
Palhinha ¿ E quando você tinha 6 anos, te deu um barquinho.
Torben ¿ O barco era do meu avô mesmo e foi onde aprendi a velejar. A gente passava férias com ele em Niterói. Era um barco da classe seis metros que foi medalha de prata nas Olimpíadas de 1912 correndo pela Dinamarca.
Ziraldo ¿ Esse barco já acabou, né?
Torben ¿ Não, depois que meu avô faleceu ficou com a família e está lá em Niterói. O casco é igual ao que era. A mastreação era de madeira e com vela em carangueja, o que é difícil de manejar, e foi trocada por alumínio. O nome do barco é Eileen. Em português, barco é masculino, né, mas, em italiano, inglês e outras línguas é feminino e os barcos têm nomes de mulheres.
Ricky ¿ Garoto, passeando de barco com seu avô, já sonhava em algum dia velejar pelo mundo inteiro?
Torben ¿Não. Só curtia mesmo velejar.
Zezé Sack ¿ Quando veio a decisão de se tornar profissional?
Torben ¿ Não houve uma decisão, foi uma coisa que foi acontecendo aos poucos. Quando comecei a velejar era num amadorismo completo, mas fomos fazendo mais e mais campeonatos, passando ao campeonato brasileiro, depois a competições internacionais.
Ziraldo ¿ Você chegou a fazer dupla com seu irmão Lars?
Torben ¿ Só na classe Snipe. E corri algumas regatas de oceano com ele.
Antonia Leite Barbosa ¿ E vocês já se enfrentaram numa disputa por vaga?
Torben ¿ Não, nunca nos enfrentamos por disputa de classe olímpica. Talvez agora, pra China, sim.
Ziraldo ¿ Qual foi o primeiro título importante que você ganhou?
Torben ¿ O Campeonato Brasileiro, nessa dupla de Snipe, quando eu tinha 20 anos e Lars, 15.
Ziraldo ¿ Quanto títulos você tem hoje?
Torben ¿ Não sei... tenho que ver. Quando você tá começando guarda tudo quanto é medalhinha, qualquer regatinha é título, depois...
Antonia ¿ Você é o brasileiro com maior número de medalhas olímpicas, né?
Torben ¿ Não, a brasileira com maior número de medalhas olímpicas é minha mãe: ela tem sete.
Palhinha ¿ Você está investindo mais no Match Race?
Torben ¿ É, foi porque fiz o Americas Cup que é disputado em sistema de Match Race, um barco contra um barco.
Paula Sack ¿ Você foi o único brasileiro que participou de Americas Cup, né?
Torben ¿ Como tripulante, sim.
Palhinha ¿ Depois de 150 anos foi o primeiro não-americano a ganhar um título no Americas Cup.
Torben ¿ Ganhei a Louis Vitton, a eliminatória pro Americas Cup. Mas os americanos já tinham perdido em 83 para um australiano.
Antonia ¿ Sendo o velejador mais premiado da história dos Jogos Olímpicos, você se sente muito cobrado?
Torben ¿ Depende do que você chama de ¿mais premiado¿. Sou o que tem maior número de medalhas, mas o mais premiado é quem tem maior número de medalhas de ouro. Tenho duas de ouro, uma de prata e duas de bronze.
Ziraldo ¿ É o mais emerdalhado dos atletas brasileiros!
Torben ¿ Mas pelo contrário, acho que ninguém pode cobrar nada de mim, porque já consegui esses prêmios.
Ziraldo ¿ Velejar é um esporte caro. Agora você tem patrocínios ¿ seu barco parece um carro de Fórmula 1 ¿ mas como vocês arrumaram dinheiro pra começar nisso?
Torben ¿ O primeiro foi um patrocínio. Meus pais se sacrificaram bastante pra pagar nossas despesas.
Palhinha ¿ O pai deles é o Dickson Grael, o coronel que era comandante do Riocentro na época da explosão.
Torben ¿ Ele foi afastado dois dias antes do atentado. Meu pai foi do primeiro grupo de pára-quedistas brasileiros e foi o primeiro brasileiro a dar salto livre, aquele onde você mesmo abre o pára-quedas. A gente navega em duas dimensões, ele como pára-quedista navegava em três dimensões.
Ricky ¿ Quando pintou o primeiro patrocínio comercial?
Torben ¿ Em 1984, quando fomos para Los Angeles e a Xerox do Brasil doou os barcos com que eu e Lars competimos. Depois teve algumas coisas pequenas e o próximo grande foi o Bradesco.
Palhinha ¿ A medalha de prata em Los Angeles ajudou a trazer novos patrocínios, né, porque até então era muito difícil.
Torben ¿ Até pouco antes das Olimpíadas de Los Angeles era proibido ter patrocínio nas competições olímpicas.
Ricky ¿ Existe essa idéia de que velejar é um esporte caro, como Ziraldo mencionou.
Torben ¿ Velejar hoje no mundo é um esporte de classe média. O problema é que classe média no Brasil é uma elite. O tênis também é um esporte de elite no Brasil. O problema é de nossa distribuição de riqueza.
Paula ¿Mas o barco é muito caro! Não é como comprar uma raquete.
Torben ¿ Depende. Manter um barco como o Brasil 1 é caro, mas um Laser... Que carro vocês têm? São carros novinhos. Se você optar por ter um carro mais usado já pode comprar um barco. Eu tenho uma Caravan 79 que já é de estimação. São decisões que você faz. Tem gente que mora mal mas tem um carro Zero Km.
Ricky¿ Em Paquetá, as casas têm garagens, mas, ao invés das pessoas estacionarem carros ali, elas guardam os seus barcos.
Torbe n¿ As cidades brasileiras próximas ao mar têm uma estrutura boa de clubes onde se pode deixar os barcos. E tem locais onde nem é preciso ser sócio de clubes. No Nordeste, os pescadores não têm jangadas? No entanto, pouca gente ali veleja.
Ziraldo ¿ Você veleja com seus filhos?
Torben ¿ A gente tem um barco de cruzeiro, de 50 pés, que compre i recentemente. Ziraldo ¿ Quer dizer então que você está rico?
Ricky ¿ Ô Ziraldo, não é barco de dólar não, é barco de cruzeiro mesmo, vale menos que real! Torben ¿ É mesmo um barco de 1969. Eu gosto de coisas antigas. Flávia Diuana ¿ O Brasil 1 é o primeiro barco de ponta fabricado inteiramente no Brasil, né?
Torben ¿ É complicado construir um barco no Brasil, tem as dificuldades de importação de equipamentos e de matéria-prima. A carga de impostos é excessiva para poder sustentar nossos amigos lá em cima.
Ziraldo ¿ Qual a velocidade que alcança esse Brasil 1 ?
Torben ¿ Chega a 35 nós. É um barco de competição pura.
Antonia ¿ É um barco inclusive que vai completar o percurso com 20 dias a menos.
Torben ¿ Essa geração é muito mais rápida. Os barcos convencionais, para ter mais estabilidade, têm tanques de água nas laterais. Com 2 mil litros nas laterais o barco inclina menos. Inclinando menos, ele anda mais, mas, ao mesmo tempo, ele anda menos por causa do peso da água.
Flávia ¿ Você estava contando que a quilha do barco é assim tão colorida para poder ser vista de longe, caso o barco vire.
Torben ¿ Isso é uma exigência da organização. Fica mais fácil de ser localizado. E o barco tem que ser construído de forma que, caso vire de cabeça pra baixo, volte ao normal dentro de meio minuto.
Fizemos o teste aqui na Marina da Glória: pusemos o barco de cabeça pra baixo, com um guindaste, e ele teve que voltar sozinho.
Antonia ¿ Como é sua rotina nos intervalos entre as competições? Torben ¿ Depende do que vem pela frente. O projeto do Brasil 1 tem me absorvido 24 horas por dia há vários meses.
Antonia ¿ Quantas pessoas estão envolvidas?
Torben ¿ Dez tripulantes ¿ nas regatas pequenas são 11 ¿ o pessoal nutricionista, o pessoal de escritório, o pessoal da informática, contabilidade... são umas 30 pessoas.
Antonia ¿ Como os barcos estão ficando todos parecidos, acho que a grande diferença numa regata dessas é a tripulação.
Torben ¿ Gosto de fazer sempre a comparação com a Fórmula 1. Uma equipe de ponta com um piloto ruim não tem resultados. Nem um piloto bom com uma equipe ruim.
Flávia ¿ E cada membro da tripulação é uma especialidade.
Torben ¿Vamos passar por 20 etapas, cada uma com mais de 20 dias a bordo. Temos que estar preparados pra todo tipo de coisa. Se alguém se machucar, é preciso um médico. E mais outro especialista para o caso deste primeiro médico se machucar. Uma pessoa tem que tomar conta da comida.
Ricky ¿ E quem é que lava a louça? Tem mulher a bordo?
Torben ¿ Ah, isso é feito em revezamento. Outra pessoa é responsável pela manutenção do mastro. Outra é responsável pelos cabos que gastam constantemente. Tem o navegador. O responsável pelos motores. O responsável pela parte elétrica. O responsável pela eletrônica.
Ricky ¿ E um bom contador de piadas pra ajudar a passar o tempo! Você mencionou o nutricionista, um item importantíssimo num barco onde cem gramas já fazem uma diferença. Qual o Método Torben Grael de Emagrecimento?
Torben ¿ Não só o peso das pessoas é importante como também o peso da própria comida. A comida que a gente leva a bordo é desidratada, sem água nenhuma.
Antonia ¿ Cada 25 quilos a mais é menos um minuto na perna, não é? Torben ¿ Os caras ficam realmente xiitas pra tirar peso. É como carro de corrida: o peso é inversamente proporcional à velocidade. Na Fórmula 1 fizeram até um peso mínimo pro pessoal não exagerar, senão quando bate o carro destrói ele todo. A briga agora não é por diminuir o peso mas por concentrar o peso. Cada quilo que se consegue tirar do barco vai para o bulbo, o que dá estabilidade para o barco. Se você tira um quilo do mastro e põe na quilha o barco anda muito mais.
Paula ¿ Como é a preparação física pro velejador?
Torben ¿Temos a preparação física diária numa academia, principalmente a musculação orientada pro tipo de trabalho que a gente faz no barco. E cada barco tem um tipo de esforço diferente. No barco olímpico você faz muito trabalho de perna e de abdome. O braço fica mais estático. Com um barco como o Brasil 1 você faz muito trabalho de costas, carrega velas o tempo todo e também faz muito trabalho de braço, puxando cabos, catracas, manivelas.
Paula ¿ Você já se viu numa situação em que chegou a pensar que não ia sobreviver?
Torben ¿ Não, mas já passei por condições duras. Não tão duras quanto vamos enfrentar agora, porque vamos velejar por lugares muito frios. Já fiz algumas travessias oceânicas ¿ Capetown-Rio, Los Angeles-Havaí ¿ mas por lugares com clima agradável. Mesmo a regata que fiz no Norte da Europa, onde é mais frio, não se compara com algumas pernas da Volta ao Mundo, como a que sai da Nova Zelândia e chega no Rio, passando pelo Cabo Horn que é bem ao Sul. A região do planeta que chamam de Southern Ocean tem ventos muito fortes.
Ziraldo ¿ Nessas regatas você passa muito tempo fora de casa e longe da esposa. Não dá saudade ou nem tem tempo de pensar nisso?
Antonia ¿ Esta Volvo Ocean Race são oito meses de viagem.
Torben ¿ É, às vezes até emenda campeonato com campeonato. No Americas Cup, onde você fica fixo num local, a família viaja comigo. As duas Cup que eu fiz foram na Nova Zelândia. A próxima vai ser na Espanha. Os filhos vão e estudam por correspondência.
Palhinha ¿ Você ficou dois anos direto na Nova Zelândia.
Torben ¿ Como o inverno lá é muito rigoroso, ficamos metade do ano lá e a outra metade na Itália.
Paula ¿ Tem pouca mulher competindo neste esporte, né?
Torben ¿ Na base tem bastante. Depois que as mulheres ficam grandes, diminui o interesse.
Flávia ¿ Sua tripulação tem a Adrienne, uma australiana que é a única mulher na regata.
Torben ¿ O problema de ter uma mulher a bordo é que esse tipo de barco exige muita força, mas a tarefa dela, a de navegadora, é muito específica. Sua capacidade como navegadora é mais importante do que ter outra pessoa forte. E uma mulher também é mais leve.
Antonia ¿ O acidente do seu irmão, Lars Grael, mudou sua relação com o esporte?
Torben ¿ Não. Obviamente, uniu a gente mais.
Ricky ¿ O mais dramático dessa história toda não foi a ironia dele perder as pernas justamente por causa de um barco e sim o fato dele ter conseguido voltar a velejar!
Torben ¿ Eu estava indo pro Mundial que classificou a gente pra Sidney, em 98, quando recebi a notícia. E em Sidney ele já estava lá treinando com a gente. Foi sparring nosso numa classe que nem conhecia, a Star. Foi aí que se empolgou com a Star e hoje veleja muito bem nessa classe.
Palhinha ¿ Mas ele passou por muitas operações.
Torben ¿ Sofreu um bocado. Foi um baque incrível. Agora, a capacidade de superação dele...
Zezé ¿ E ao final de tudo o cara nem foi punido.
Torben ¿ Mas quem é punido nesse país, gente?
Antonia ¿ A Lei Piva prometia ser a alforria pro esporte olímpico, no entanto, tem muito atleta ainda sem patrocínio. O que poderia ser feito pra mudar essas condições?
Torben ¿ Algumas iniciativas são boas, para outras não vejo muito futuro, como o Bolsa Atleta, que já começou mal. No caso da Vela foram escolhidas pessoas que no meu entender não deveriam receber o Bolsa Atleta. Pessoas com mais de 50 anos e que têm outras atividades.
Ricky ¿ O projeto então é mais Bolso do que Atleta?
Torben ¿ Virou outra teta aí para nego ficar mamando. Esse tipo de coisa tem que ser muito bem feita. Agora, o programa de Novos Valores tem futuro.
Antonia ¿ O governo federal deveria dar a mesma importância ao esporte que dá à cultura?
Ricky ¿ Ih, Antônia, fala isso não! O esporte vai estar lascado!
Antonia ¿ Mas a cultura tem pelo menos a Lei Rouanet...
Torben ¿ Cruz credo, o esporte está abandonado há anos. Não é que a cultura receba recursos demais, mas o esporte certamente recebe recursos de menos. Não vejo porque uma área tem uma lei de incentivos e a outra não.
Flávia ¿ O projeto do Brasil 1 tem 20% de investimento do governo e o resto é privado.
Torben ¿ É um projeto de R$ 15,8 milhões. O governo está dizendo que vai investir, mas por enquanto nada. Tem uma promessa de investir.
Ricky ¿ Ih, deve ser a mesma promessa que deram ao Valério dizendo que iam pagar os empréstimos. O que poderia ser feito pra melhorar a situação da Vela no Brasil?
Torben ¿ Uma lei de incentivos. Não com a renúncia absoluta dos recursos investidos em termos de imposto, ou seja, não de renúncia fiscal, mas de incentivo fiscal. Senão, é a mesma coisa que dar o dinheiro direto.
Flávia ¿ A participação do Brasil 1 na volta ao mundo deve dar maior visibilidade à vela no Brasil, né?
Torben ¿ Isto e outras iniciativas como a Match Race Brasil. Os bons resultados olímpicos já deram visibilidade e atraíram alguns patrocinadores. O público também passou a entender mais a Vela.
Antonia ¿ Como funciona o Projeto Grael de Responsabilidade Social? Você está formando jovens velejadores?
Torben ¿Meu irmão Alex dirige este projeto em Niterói. A gente começa ensinando a nadar. Temos uma parceria com o Corpo de Bombeiros que faz a parte de natação. Depois ensinamos a velejar. Em seguida vamos desenvolvendo noções de meio ambiente, noções de pesca, carpintaria, fibra de vidro, mecânica. Procuramos atrair a criançada pro mercado náutico que hoje está carente de bons profissionais. E é um mercado que paga bem. Tem garotos que foram do projeto e que hoje estão dando aula na Marina da Glória. Isto é justamente pra provar que a pessoa não precisa ter dinheiro pra velejar. Precisa ter os contatos. Por exemplo, o Marcelo participou do projeto e passou a freqüentar um clube como tripulante de um veleiro. Não era sócio, não tinha os mesmos direitos, mas podia velejar. Todos os barcos precisam de tripulantes. A maioria dos clubes tem esse sistema.
Palhinha ¿ Teve um problema lá com a linha de catamarã que inauguraram e que passa fazendo marola, atrapalhando o seu projeto.
Torben ¿ Puseram o terminal exatamente onde era o projeto. O catamarã é um excelente serviço, mas o terminal poderia ser construído numa área que não fosse de praia. Por exemplo: por que não fizeram no aterro construído entre São Francisco e Icaraí, onde parava o Bateau Mouche? Ficou uma obra bonita, de bom gosto, é do Niemeyer, mas construir numa praia? Aterraram a praia do lado do terminal para fazer estacionamento. Tiraram o espaço público sem pagar nada para fazer uma coisa que é cobrada. O catamarã que foi licenciado é menor e faz pouca onda, sem incomodar, mas com a desculpa de que esses menores não estão prontos, usam catamarãs grandes demais. Os barcos do Clube Naval ficam batendo mastro com mastro, quebra tudo e os caras não estão nem aí. É Brasil, né.