Título: ''Não votaria em Palocci'', diz Tarso
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/08/2005, País, p. A3
No mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a condução da economia feita pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, o presidente do PT, Tarso Genro, afirmou que não votaria em Palocci caso fosse apontado como um possível candidato do partido à Presidência da República em 2006. A declaração foi feita após analisar as dificuldades para a reeleição do presidente Lula. Ainda segundo Genro, sua candidatura para comandar o partido depende do afastamento do deputado José Dirceu. - Como defendo uma transição econômica, o Palocci não seria meu candidato. No próprio partido haveria muita resistência a ele.
Genro classificou de ''comum'' e ''frustrante'' a política econômica, embora admita que traz credibilidade e governabilidade ao Planalto.
- A política econômica é mais ou menos comum a todos os governos democráticos de esquerda que chegaram ao poder nos últimos 20, 30 anos e que não construíram alternativas. Porque comum, é frustrante para as pessoas que esperavam algo diferente. É frustrante para boa parte da nossa base social, mas dá segurança para grande parte da sociedade e se transforma neste momento de crise em um elemento agregador - avaliou Genro, que ocupou o Ministério da Educação, mas deixou a pasta neste ano para assumir a presidência do PT em meio à atual crise política.
Genro foi cauteloso ao comentar as perspectivas do partido para as próximas eleições.
- Hoje eu não sei se o presidente teria condições de se reeleger. As pesquisas estão indicando que hoje seria uma impossibilidade. Agora, acho que essa configuração de política de forças pode ser mudada tanto para pior como para melhor - disse Tarso Genro em uma sabatina realizada ontem pelo jornal Folha de São Paulo.
Apesar de afirmar que a decisão sobre o cenário eleitoral de 2006 deve ser tomada apenas no fim deste ano, o ex-ministro da Educação apontou o senador Aloizio Marcadante e o prefeito de Aracaju, Marcelo Deda, como possíveis candidatos à Presidência, caso Lula fique fora da disputa.
Genro descartou uma pretensão pessoal de uma candidatura sua para a Presidência.
- Não está na minha agenda - disse.
Ao ser perguntado sobre o ex-ministro José Dirceu, um antigo presidenciável do partido, Genro disse nunca ter visto nele um perfil para se candidatar à Presidência da República.
Ao deixar a disputa eleitoral de lado e se voltar para a disputa interna do partido, em eleições que serão realizadas em setembro, Tarso Genro mantém a determinação de disputar a presidência do Partido dos Trabalhadores sob a condição de rompimento com a antiga direção da sigla, envolvida com denúncias de corrupção. Apesar de não citar nomes, o desejo do petista é o afastamento de Dirceu da chapa do Campo Majoritário, tendência hegemônica do PT. Durante a sabatina, ele fez questão de elogiar a conduta do ex-presidente petista José Genoino que enviou carta à direção do partido informando que não iria participar da chapa do Campo Majoritário.
Genro disse ter procurado evitar fazer ''pré-julgamentos'', mas para ele o ex-ministro e deputado José Dirceu tem ''responsabilidade política'' pela crise que afeta o partido e o governo desde as denúncias de financiamento paralelo do PT e de pagamento a partidos deflagrada há mais de dois meses.
- Não estou discutindo nomes nem impugnando nenhum nome. O que estou disputando é a natureza da chapa. Para que eu seja candidato, tem que ser uma chapa de renovação e de ruptura com o núcleo de dirigentes anterior - afirmou.
Ao fazer uma análise interna, o ex-ministro ainda avaliou que o partido pagou um ''preço caríssimo'' ao permitir que determinadas pessoas, sem ''capacidade técnica e política'', chegassem à cúpula do poder, citando o nome do ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira. Acredita que o partido terá dificuldades nas próximas eleições para obter financiamento. Segundo ele, caso o partido fosse uma empresa, já teria falido ou ''no mínimo, pedido uma concordata preventiva'', mas garantiu que todas as dívidas serão pagas.
O presidente do PT fez ainda uma mea-culpa sobre seu passado ao afirmar que hoje não defenderia o afastamento ou renúncia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como foi feito pelo partido enquanto era oposição. Gerno avalia que não se tratou de uma ''leviandade'' , mas sim de um ''erro político''.
- Pode ter sido um erro político meu ao deixar de avaliar uma perspectiva política maior.
Na página A5, Pesquisa do Ibope mostra queda da avaliação de Lula. Nas páginas A18 e A19 Presidente diz que não vai brincar com a economia