Título: Varig começa venda fatiada
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 24/08/2005, Economia & Negócios, p. A17

Em dificuldades financeiras desde o pedido de recuperação judicial, em junho, a Varig encontrou na venda fatiada a melhor maneira para fazer caixa até dezembro, quando expira o prazo para por em prática seu plano de reestruturação. A companhia aérea espera receber US$ 48 milhões pela venda da VarigLog até o fim do mês de agosto. Outros US$ 40 milhões deverão ser entregues um mês depois de aprovado o acordo.

A Varig acertou os termos da venda de 95% da subsidiária de transporte de cargas para o fundo americano de private equity Matlin Patterson Global Advisers e depende agora da aprovação do juiz Alexander Macedo, da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Ontem, Macedo se reuniu com três outros juízes empresariais para debater a proposta da Varig, mas a decisão final não foi anunciada.

A venda da VarigLog terá que contar também com o aval da Fundação Ruben Berta, que detém a maioria das ações da companhia. Neste sentido, o Conselho de Administração da Varig convocará para logo uma assembléia de acionistas para aprovar a operação.

Para conseguir o controle da VarigLog, o fundo americano constituiu uma empresa brasileira, a Volo Logistics, de forma a escapar da limitação legal de participação de estrangeiros em companhias aéreas, de 20%. Com a manobra, o fundo poderá abocanhar os 95% de participação na VarigLog. Os 5% restantes pertencem ao fundo de pensão dos funcionários da Varig (Aerus).

De acordo com Carneiro da Cunha, o Matlin Patterson avaliou a VarigLog em US$ 100 milhões. Descontados as dívidas da empresa, o valor foi reduzido para US$ 40 milhões. O fundo pagará os US$ 38 milhões correspondentes a 95%.

O restante do dinheiro virá de uma operação de antecipação de recebíveis. Varig e Matlin fecharam acordo para que o fundo disponibilizasse US$ 10 milhões do total de US$ 50 milhões de recebíveis decorrentes de compras de passagem com cartão Visa. Os US$ 40 milhões restantes serão repassados para a Varig assim que o contrato for assinado entre as empresas, o que, segundo Carneiro da Cunha, deve acontecer um mês depois a assembléia de acionistas.

- Ainda temos um pré-acordo com o fundo para que os US$ 15 milhões de recebíveis do Visa conseguidos após a assinatura do contrato também sejam repassados pelo fundo, o que elevaria o valor total desembolsado pela VarigLog de US$ 88 milhões para US$ 103 milhões - explica Carneiro da Cunha.

O presidente da Varig foi taxativo ao afirmar que a Ruben Berta não se opõe ao acordo costurado pelo Conselho de Administração, encabeçado por David Zylbersztajn, com o auxílio do banco suíço UBS, responsável pela assessoria financeira na reestruturação da companhia aérea.

O presidente ressaltou que o dinheiro conseguido com a venda da VarigLog será destinado a apenas três frentes: manutenção, quitação de prestações de leasing de aeronaves e pagamento de salários atrasados. Segundo ele, a empresa tem cerca de nove aeronaves fora de operação por falta de dinheiro em caixa para manutenção e os salários estão sendo pagos com um mês de atraso. Além disso, a International Lease Finance Corporation (ILFC) tenta seguidamente derrubar o veto da Justiça americana ao seqüestro de aeronaves com prestações de leasing atrasadas.

Carneiro da Cunha confirmou que a empresa entregará no dia 12 de setembro ao Judiciário o plano de reestruturação. Segundo ele, a venda da Varig Engenharia e Manutenção (VEM) não está entre os planos iniciais da companhia, já que o dinheiro conseguido com o acordo sobre a VarigLog será suficiente para manter a operação da empresa até dezembro, limite para implementação da reestruturação.