Título: Tranqüilidade vira fumaça
Autor: Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 24/08/2005, Economia & Negócios, p. A19

O efeito tranqüilizador da entrevista do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reforçando a condução da ortodoxa política econômica brasileira durou apenas um dia. O suposto desaparecimento do advogado Rogério Buratti e a posterior incerteza sobre a data de seu depoimento na CPI dos Bingos foi suficiente para pressionar a cotação do dólar, que subiu 1% e fechou cotado a R$ 2,409. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também acusou o golpe e encerrou o dia em queda de 1,8%, com 26.769 pontos e volume de R$ 1,585 bilhão.

No exterior, o risco-país foi mais um indicador a acusar o nervosismo dos indicadores e registrou alta de 1,2%, para 413 pontos.

O maior temor do mercado é que o advogado, que na sexta-feira disse que o ministro da Fazenda recebia R$ 50 mil mensais de propina de uma empresa de coleta de lixo na época em que era prefeito de Ribeirão Preto, apresente provas de suas acusações.

O cenário político concentrou o foco do mercado ontem desde o início dos negócios, também devido ao depoimento do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, à CPI do Mensalão.

A operação montada pela CPI para localizar Buratti e intimá-lo para o novo depoimento contribuiu para que o mercado especulasse sobre possíveis pressões sobre Buratti. O temor do mercado continuou mesmo depois de o advogado de Buratti ter negado a versão e informado que seu cliente estava em São Paulo.

- O mercado interpretou que poderia ter acontecido algo mais grave - afirmou João Medeiros, da corretora Pionner.

Apesar de a notificação ter sido entregue a Buratti, até o final da noite ainda não havia certeza sobre a data do depoimento.

Ainda ontem, a Comissão aprovou a convocação de outros nomes ligados a Palocci. A CPI ouvirá nos próximos dias, o chefe de gabinete do Ministério da Fazenda, Juscelino Dourado, além dos dois promotores do Ministério Público de São Paulo, responsáveis pelo vazamento das declarações de Buratti.