Título: Previ tenta preservar acordo com Citi
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 24/08/2005, Economia & Negócios, p. A20

O Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, ingressou ontem com um agravo de instrumento no Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar reverter a decisão que suspende o acordo firmado com o Citigroup para compra da participação dos estrangeiros na Brasil Telecom (BrT). A decisão do tribunal, proferida na semana passada, determinava que as empresas públicas patrocinadoras impedissem que seus respectivos fundos - além do Previ, o Funcef, da Caixa Econômica, e o Petros, da Petrobras, entre outros - executassem o contrato antes do fornecimento de informações sobre os termos do negócio.

A decisão do TCU teve como base uma representação apresentada pelo deputado federal Alberto Fraga (PFL-DF). Ontem, em entrevista ao Jornal do Brasil, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, questionou as alegações do parlamentar. Segundo Rosa, Fraga usou as mesmas alegações que o presidente do conselho de administração da BrT, Luiz Otavio da Motta Veiga costuma apresentar na defesa dos interesses de Daniel Dantas na operadora.

Segundo fonte ligada aos fundos, o agravo fornece ao Tribunal explicações sobre as razões pelas quais o chamado acordo de ''put'' estabelece um preço de compra da parte do Citi na BrT por um preço considerado três vezes superior ao valor de mercado.

- Não são simples ações, mas papéis que trazem o controle, que compreende decisões estratégicas do negócio e a escolha do presidente da empresa. No leilão da Tele Centro-Oeste, empresa que compõe a Brasil Telecom, o ágio pago foi superior em quatro vezes ao valor mínimo justamente porque compreendia o controle da empresa. Além disso, o valor de mercado da empresa hoje está baixo, por conta das disputas.

A Brasil Telecom é alvo de disputa pelos fundos de pensão e o Citi, de um lado, e Opportunity e Telecom Italia, de outro. Hoje, representantes dos fundos de pensão eleitos na semana passada para o conselho da Brasil Telecom Participações - empresa que se situa acima da BrT na complicada cadeia acionária montada pelo banco de Daniel Dantas - determinarão a marcação de assembléia de acionistas da operadora. A previsão, segundo a fonte, é que, em até 38 dias, a telefônica já esteja sob nova gestão.

Ainda segundo a fonte, o agravo foi entregue ontem apenas para ''cumprir o protocolo''.

- O ''put'' só será exercido em novembro de 2007, se a participação do Citi e dos fundos não for comprada antes. Enviamos as justificativas porque o agravo estipula um prazo de cinco dias para contestações. Estamos tranqüilos.