Título: Senador denuncia tráfico no Congresso
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Fonte: Jornal do Brasil, 27/08/2005, Internacional, p. A12
Não é só no Brasil que o Congresso escandaliza a população. Ontem, o vice-presidente do Senado colombiano, Edgar Artunduaga, não só afirmou que parlamentares usam drogas dentro do prédio, como que traficantes ganharam acesso livre e vendem seus produtos pelos corredores e gabinetes. Dizendo chamar a atenção para a falta de segurança, Aruntuaga disse ter uma lista com nomes de colegas usuários. Segundo o senador, na sede do legislativo colombiano é possível se comprar de tudo: ''de sanduíches a sapatos, de consultas sobre astrologia a maconha e coca''.
- O pior é que alguns congressistas consomem - confirmou aos jornais locais, dizendo que só revelaria a lista depois de repassá-la à polícia. Na Colômbia é legal a posse de pequenas quantidades de maconha, heroína e cocaína para uso próprio, mas não a venda. - Entre os traficantes estão funcionários de nível médio da casa.
A Colômbia é o maior produtor de cocaína no mundo e desde 2000 o governo de Alavaro Uribe já recebeu mais de US$ 3 bilhões em ajuda militar americana para barrar a produção e o comércio da droga. A indústria do narcotráfico foi impulsionada por 40 anos de guerra civil, na qual tanto a guerrilha de esqueda quanto os paramilitares de direita se associaram ao tráfico para se sustentar.
Apesar disso, o legislativo sofre com a falta de segurança. Detetores de metal nas entradas estão desligados, câmeras de vídeo funcionam sem filme para gravar e dos quatro cães treinados para farejar bombas só um ainda continua em serviço. E está doente.
O discurso, longe de despertar a indignação da população com o Congresso, serviu para consolidar a imagem de uma casa corrupta, delineada com denúncias de que traficantes e paramilitares subornaram um grande número de parlamentares. Artunduaga foi acusado de atacar a reputação da casa.
- Ele deveria apresentar provas e dizer quem são os que fazem uso de drogas, ou então renunciar - acusa Armando Benedetti, deputado governista.
Alguns tentaram diminuir a acusação de outra forma:
- A mim ninguém ofereceu nada - garantiu o senador Antonio Navarro, um crítico ferrenho do presidente Uribe.