Título: Grupo cria comissão
Autor: Waleska Borges
Fonte: Jornal do Brasil, 27/08/2005, Rio, p. A13
A criação de uma central de regulação de leitos para integrar os hospitais das redes estadual, federal e municipal será prioridade nas ações da Comissão Metropolitana de Saúde, instalada ontem pelo ministro Saraiva Felipe. Otimistas, os secretários de saúde dos municípios que assinaram o protocolo de intenções apostam no aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS). - A criação da Comissão Metropolitana de Saúde não é mais uma inciativa institucional e burocrática. No entanto, não é possível uma solução para o mês que vem - disse o ministro, sem revelar investimentos nessa área.
Presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado do Rio, Valter Lavinas alerta, entretanto, que há necessidade de se fazer um levantamento dos leitos da rede pública. Lavinas acredita que o estudo pode ser feito em 30 dias. Segundo ele, em média, 50% dos leitos públicos estão inutilizados.
- As causas para que estes leitos não sejam usados vão desde o déficit de profissionais e falta de materiais até o sucateamento das unidades - informou Lavinas.
Ele alerta que a central de regulação de leitos deve ser implementada em até seis meses, já que as eleições são daqui a um ano.
- Será preciso investir em recursos humanos e na estrutura dos hospitais - emendou Lavinas.
Presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde, que reúne 12 municípios da Baixada, Oscar Berro está confiante de que os trabalhos da comissão vão ajudar a amenizar a falta de leitos na Região Metropolitana.
- Ou revertemos o atual modelo ou todos os signatários deste acordo estarão assinando um diploma de incompetência - disse Berro.
Secretário de Atenção à Saúde do ministério, José Gomes Temporão garante que a central de regulação de leitos deverá estar funcionando até dezembro. Ele admite que, atualmente, os leitos públicos estão mal distribuídos.
- A central de regulação de leitos não precisa de dinheiro expressivo, o problema é de gestão não de falta de verba - garantiu Temporão.
O representante do ministério também anunciou a contratação de 52 médicos para sanar os problemas do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
- A prioridade do Samu é o atendimento em casa, mas há a possibilidade de que ele venha a ajudar na implantação da central de regulação de vagas - adiantou Temporão.
Durante o encontro com os secretários, ontem à tarde, no Núcleo Estadual do ministério no Rio, Saraiva Felipe anunciou que as ações da comissão também visam a melhoria na atenção básica. Pela manhã, o ministro participou da inauguração da estátua do médico sanitarista Sérgio Arouca, na Fundação Oswaldo Cruz, que presidiu a instituição de 1985 a 1989. No final do dia, o ministro inaugurou uma unidade do Programa Farmácia Popular, em Nova Iguaçu.