Título: Delfim critica real valorizado
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Fonte: Jornal do Brasil, 27/08/2005, Economia & Negócios, p. A17

Com notícias negativas para o país no front externo, os mercados no Brasil reagiram mal. O aviso de escassez de recursos no horizonte e boatos em relação à crise política provocaram queda de 1, 12% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e levaram o dólar a uma valorização de 0,20%, aos R$ 2,403, depois de chegar a subir 1,4%. A economia também não foi poupada pelo deputado e ex-ministro Delfim Netto. Segundo ele, o Banco Central sobrevalorizou o ''câmbio inutilmente''.

- Eu acho que o Banco Central produziu uma sobrevalorização do câmbio inutilmente, só para conseguir uma meta de inflação de 5,1% - afirmou, durante o 2º Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro, em Campos do Jordão.

O deputado afirmou que o Brasil viu as taxas de crescimento caírem a partir de 1985 porque ''perdeu o passo das exportações''. Ele também acusou os presidentes anteriores de praticarem uma ''xeretagem'' da taxa de câmbio, lembrando os períodos de congelamento da taxa, nos governos Sarney, Collor e FHC. Delfim disse ainda que, com a política econômica atual, o país não crescerá mais do que 3,5% neste ano.

- Isso é um absurdo. O Brasil deveria aproveitar o momento extremamente favorável, de grande liquidez no mercado internacional. Temos condições de crescer muito mais do que isso - afirmou.

Ele diz que a taxa de juros reais, que calculou em 17% a 18% ao ano nos últimos 25 anos, apenas contribuiu para impedir o pleno crescimento do país.

- Alan Greenspan (presidente do Fed, banco central dos EUA) procura ajustar a taxa de juros para não prejudicar a economia. No Brasil, ela (a política monetária) é feita para impedir que o país cresça - afirmou.

O ex-ministro aproveitou para defender a tese de que o déficit nominal zero é a melhor saída para reduzir o endividamento do país.

- Com déficit fiscal, a economia vai continuar patinando, como nos últimos 15 anos - disse e emendou: - Superávit primário é enganação.