Título: Lei de Greenspan: Bolsa que sobe cai
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Fonte: Jornal do Brasil, 27/08/2005, Economia & Negócios, p. A17
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Alan Greenspan, fez ontem um alerta aos investidores de que as recentes valorizações nos mercados acionários mundiais podem ''prontamente desaparecer'' com a redução da abundância de capitais dispostos a investir em papéis mais arriscados. A aposta provoca calafrios nos mercados emergentes, como o Brasil, os primeiros a sofrer com a saída desses recursos. - O que eles (os investidores) percebem como uma abundante liquidez pode prontamente desaparecer - afirmou em uma conferência anual com presidentes de bancos centrais.
Segundo o presidente do Fed, ''qualquer aumento na cautela dos investidores'' pode causar quedas nos preços das ações e forçar investidores a vender ativos para pagar dívidas.
Entre investidores, os comentários foram classificados entre os mais firmes já feitos por Alan Greenspan. Desde que alertou sobre a ''exuberância irracional'' dos mercados em 1996 e derrubou bolsas no mundo inteiro, Greenspan se tornou mais comedido.
Em 1999, na mesma conferência anual de presidentes de bancos centrais, no entanto, Greenspan alertou que os preços das ações de tecnologia eram ao mesmo tempo ''inexplicáveis e extraordinários''. Meses depois, as bolsas dos EUA iniciaram uma severa correção, o que se convencionou chamar como o estouro da bolha dos anos 90.
Ontem, Greenspan não foi muito específico. Ele sugeriu não estar particularmente preocupado com os preços do petróleo, que neste ano já subiram mais de 44%.
Afirmou, no entanto, que as mudanças na estrutura da economia mundial têm forçado os presidentes de bancos centrais e prestar atenção especial aos preços das ações.
Segundo o presidente do BC americano, a renda da população tem acompanhado variações das bolsas. Com a valorização recente no mercados, a tendência é de alta também nos rendimentos dos americanos.
Logo, se um possível aumento do risco no mercado afugentar investidores e depreciar o preço das ações, o resultado será redução no consumo e desaquecimento da economia americana - e, por tabela, mundial.