Título: Disputa de holofotes aumenta sobreposição das CPIs
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Fonte: Jornal do Brasil, 26/08/2005, País, p. A4
Fundos de pensões, banqueiros, empresários e presidentes de partidos políticos terão de prestar depoimento às CPIs dos Correios e do Mensalão em função de uma disputa política que vem crescendo entre as duas comissões. Uma série de requerimentos semelhantes às duas investigações foram aprovados ontem em ambas as comissões. A votação trouxe à tona uma guerra que vem sendo travada nos bastidores entre os parlamentares de ambas as CPIs.
- Está havendo uma sobreposição entre os trabalhos das comissões - reconehceu o presidente da CPI dos Correios, Delcidio Amaral (PT-MS)
Os documentos aprovados determinam, por exemplo, as quebras de sigilos bancários de alguns dos mais importantes fundos de pensão do país, dentre eles o Previ (Banco do Brasil) e Funcef (dos servidores da Caixa Econômica Federal).
Os parlamentares também aprovaram simultaneamente a convocação do empresário Daniel Dantas, do banco Opportunity; do doleiro Antônio Claramunt, conhecido como o Toninho da Barcelona; além da quebra dos sigilos bancários fiscal e telefônico do publicitário Duda Mendonça, de seus sócios e de suas empresas, a Duda Propaganda e a CEP.
- É preciso ter uma decisão institucional. Se não, vamos ter de entrar na briga mesmo - adiantou-se o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).
O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna, chegou a apelar a Delcidio para interferir na disputa com o sentido de acabar com o que ele classificou de ''marcha da insensatez''. Delcidio avisou que vai procurar os presidentes do Senado, Renam Calheiros e da CPI do Mensalão, Amir Lando (PMDB-RO), para buscar um entendimento que encerre a confusão. Para Delcídio, ''há uma disputa de holofotes''.
- Algumas pessoas têm interesse em que nós transformemos as CPI) numa grande desordem para que ninguém seja punido - afirmou Delcidio a jornalistas, sem querer apontar nomes.
O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio, disse que a CPI do Mensalão pode ter tomado a atitude de estipular uma agenda semelhante em represália por ele estar elaborando um relatório parcial apontando os parlamentares que teriam recebido dinheiro do mensalão.
- O presidente do Congresso vai de que baixar uma norma dizendo o que cabe a cada comissão. Estão fazendo uma balbúrdia de propósito - avaliou Serraglio.
Na sala ao lado, o relator da CPI do Mensalão, Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), disse que ''não há bate-cabeça'', mas afirmou que as duas comissões poderão chegar a relatórios distintos.
- Os relatórios poderão ser diferentes. Cada uma das CPIs conclui o que apurar.
Semana passada houve uma tentativa de acerto entre os dirigentes das duas comissões para delimitar os limites de casa comissão. Em tese, a dos Correios investigaria supostas irregularidades nos contratos da estatal e a origem do dinheiro que abasteceu o caixa dois do PT. A CPI do Mensalão se dedicaria à identificação dos parlamentares que teriam recebido dinheiro irregular.