Título: Desemprego estável, renda em alta
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 26/08/2005, Economia & Negócios, p. A19

As dificuldades do mercado de trabalho mantiveram afastada, pelo segundo mês consecutivo, a população em idade ativa da disputa por um emprego, levando a taxa de desocupação ao mesmo resultado de junho, 9,4% - o menor patamar desde março de 2002. A renda do trabalhador cresceu 2,5% em relação a junho, sob efeito da queda da inflação, verificada nos últimos três meses, e da elevação do salário mínimo, de R$ 260 para R$ 300 em maio.

A manutenção do nível de desemprego se deveu ao fato de que o contingente de pessoas procurando vagas permaneceu o mesmo de junho. Naquele mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avaliou que o desemprego havia caído não pelo aquecimento do mercado de trabalho, mas, sim, pelo fato de muitos desocupados terem desistido de procurar emprego. Para cálculo da taxa de desemprego, são consideradas apenas as pessoas em busca de vaga.

O número de pessoas em busca de trabalho chega a 2,1 milhões nas seis regiões metropolitanas pesquisadas. Entre os grupamentos de atividade, a construção civil teve queda de 4,5% no contingente de trabalhadores. A construção representa 7% da população ocupada no país.

O rendimento médio real cresceu 2,5%, chegando a R$ 968,30. Em relação a junho, houve recuperação em todas as regiões metropolitanas: Recife (4,8%), Salvador (3,3%), Belo Horizonte (1,3%), Rio de Janeiro (2,1%), São Paulo (3,0%) e Porto Alegre (0,5%).

A recuperação foi maior entre os trabalhadores por conta própria, que tiveram alta de 4,60%, avançando para R$ 761,20. Os trabalhadores formais registraram aumento de 1,40% e chegaram a R$ 979,10. Já os informais, que têm o menor nível de rendimento, tiveram queda de 0,5% e ganharam em média, R$ 629,40. A renda do trabalhador voltou a crescer na comparação com o mês anterior após dois meses de queda.

- A inflação controlada gera aumento do consumo e beneficia o segmento do comércio, no qual há uma forte presença dos trabalhadores por conta própria - afirma Cimar Pereira, gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE.

O economista Marcelo de Ávila, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) ressalta que a alta no rendimento médio é bastante significativa.

- O controle da inflação é realmente determinante para a alta do rendimento - avaliou Ávila.