Título: Os piores momentos
Autor: Sérgio Pardellas e Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 28/08/2005, País, p. A4

O Partido dos Trabalhadores traçou uma trajetória do céu ao inferno com a saída de intelectuais, expulsão de dissidentes, denúncias que abalaram figurais pontuais do governo e críticas à ''política tucana'' adotada. Foram muitas as crises que compõem o purgatório do partido da estrela. A eleição em 2002 esteve condicionada ao apoio dos conservadores, PL e PTB, até então rechaçados pelos quadros petistas. Os 50 milhões de votos dados a Lula também não se refletiram em ampla maioria parlamentar, forçando ampliação da aliança, com PMDB, PP, desagradando intelectuais e abrindo os portões da crise.

O caso Waldomiro Diniz deu início à retirada da bandeira da ética das mãos dos petistas. No dia 13 de fevereiro de 2003, a revista Época revelou vídeo que o subchefe de Assuntos Parlamentares do Planalto, ligado diretamente ao então chefe da Casa Civil, José Dirceu, pede propina e contribuição de campanha a um empresário do ramo de loterias eletrônicas.

A polêmica seguinte foi a expulsão dos deputados federais Babá (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE) e da senadora Heloísa Helena (AL). Críticos da política moderada e neo-liberal levada a cabo pelo governo, os chamados dissidentes desrespeitaram a orientação do governo e votaram contra a Reforma da Previdência, o que determinou as expulsões, pelo Diretório Nacional, em dezembro de 2003.

Ao longo de 2004 foi a vez de lideranças político-intelectuais, discordarem dos rumos do governo e anunciarem suas saídas, entre eles: os sociólogos Leonardo Boff e Chico de Oliveira, o ex-deputado Milton Temer (RJ) e o professor Leandro Konder. O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) também deixou o PT criticando o presidente sobre a forma como foi liberada a comercialização da soja transgênica.

Este ano, a falta de articulação política do governo, alvo constante de críticas da oposição, ficou exposta com a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) à presidência da Câmara.

Em abril, após se sentir isolado em meio a denúncia de ligação com o esquema de corrupção nos Correios, Roberto Jefferson (PTB/RJ), denunciou que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava mesada a deputados do PP e PL em troca de apoio nas votações. A crise levantou suspeitas de corrupção, tráfico de influência de governista e uso de caixa 2 que vem derrubando, um a um, membros do alto escalão do partido e governo Lula.