Título: Libertados mil presos
Autor: Carolyn Hayman
Fonte: Jornal do Brasil, 28/08/2005, Internacional, p. A14
O Exército americano anunciou ontem ter libertado nos últimos três dias mil prisioneiros de Abu Ghraib, a Oeste de Bagdá. Esta foi a maior libertação de detidos desde o início da guerra no Golfo, em março de 2003. A prisão ganhou notoriedade no ano passado por ser o palco dos maus-tratos a prisioneiros iraquianos por parte de soldados americanos revelados em imagens divulgadas pela imprensa.
''Os prisioneiros libertados não eram culpados de crimes graves, nem de uso de bombas, tortura, seqüestros ou assassinatos. Todos abandonaram o crime, renunciaram à violência e prometeram ser bons cidadãos no Iraque democrático'', ressalta o comunicado do Exército.
Segundo o comando militar americano, os ex-detentos representam diferentes comunidades iraquianas, não somente sunitas. A medida, requisitada pelo governo iraquiano, pode ser interpretada como um gesto de boa vontade das autoridades para tentar criar uma ''atmosfera apropriada'' para tirar do impasse as negociações sobre a nova Constituição do país.
Na noite da sexta-feira, representantes xiitas e curdos haviam anunciado um entendimento para a votação do esboço da nova Carta, após supostas concessões feitas pelos representantes sunitas, que se negavam a aceitar uma estrutura federalista que desse demasiada autonomia a curdos e xiitas no país. Porém líderes sunitas negaram o acordo.
Os representantes sunitas nas negociações para a nova Constituição exigiam a libertação de prisioneiros sunitas para que pudessem votar no referendo sobre a nova Carta, em outubro, e nas eleições parlamentares previstas para o fim do ano.