Título: Ciro Gomes: uma convicção ''impublicável''
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 01/09/2005, País, p. A3

O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, afirmou ontem ter uma opinião sobre a suposta participação do deputado José Dirceu (PT-SP) no esquema de corrupção em análise nas CPIs. Prefere, no entanto, manter cautela.

- Só quem está com as ferramentas da apuração pode indicar se Dirceu é inocente. Ele se proclama inocente. Eu tenho a minha convicção, mas ela não é publicável - afirmou.

Logo em seguida, acrescentou:

- Seria um julgamento impertinente se eu dissesse uma ou outra das posições possíveis sobre esse assunto.

Na última sexta-feira, em solenidade em Quixadá (CE), o ministro não citou nomes mas foi pródigo em adjetivos:

- Gente que tinha a confiança do presidente da República trocou as mãos pelos pés e fez uma coisa muito feia, muito suja, que só tem uma solução: temos de punir quem quer que tenha feito, por mais amigo, por mais parceiro, por mais que tenha até serviços prestados ao Brasil - disse, na ocasião.

Ciro se manifestou poucas vezes sobre a crise, mas já havia falado em favor de Lula. No último dia 8, disse que o presidente seria ''imbatível'' caso decidisse disputar a reeleição.

Ontem, Ciro disse que, neste momento, há ''manifestações negativas generalizantes'' que atingem culpados e inocentes:

- Logo mais se separará o joio do trigo, haverá as punições, a população se sentirá respeitada na sua indignação e os inocentes poderão respirar novamente tranqüilos. É o caso do presidente Lula - afirmou.

A punição dos responsáveis pela corrupção nos Correios, no caso do mensalão e nas investigações dos bingos, permitirão, segundo Ciro, que os governistas enfrentem de novo a oposição. Então, pondera o ministro, será possível cobrar dos oposicionistas coerência no trato dos casos de corrupção neste governo e nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso.