Título: Investimentos têm de sair do papel
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 05/09/2005, País, p. A4

O crescimento de 1,4% da economia no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano, não rendeu apenas comentários elogiosos de ministros de Estado. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PTSP), aproveitou a divulgação do dado para pedir rapidez ao Executivo na execução de medidas que favoreçam investimentos em infra-estrutura. Ferramentas à disposição não faltam, reconhece o senador, engrossando cantilena entoada pela iniciativa privada. O governo ainda não tirou do papel, entre outros, a Parceria Público-Privada (PPP) e o projeto-piloto de investimento (PPI), que retira do cálculo de superávit primário recursos públicos destinados à infra-estrutura.

¿ Tem de acelerar os investimentos ¿ diz Mercadante. O discurso não é isolado. Seguem a mesma linha o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo, e o líder do PT no Senado, Delcidio Amaral (PT-MS).

Um peso a menos

O presidente da CPI dos Correios, Delcidio Amaral, está sorrindo à toa com a aprovação, em sessão considerada histórica por ele, da relação de 18 cassáveis na última quinta-feira.

Cereja no bolo Segundo Delcidio, a investigação entrará agora em uma fase menos política. Será substituída por uma etapa mais técnica, que agrada ao petista, destinada a descobrir a fonte dos recursos do mensalão.

Um fardo a mais A aprovação do relatório dos ameaçados à degola, por unanimidade, não representa o fim dos embates. O PFL, por exemplo, pretende salvar a pele do deputado Roberto Brant (MG) no Conselho de Ética da Câmara.

Tucano livre O senador Ney Suassuna (PMDB- PB) diz que o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) não foi incluído no relatório de cassáveis para que as campanhas regionais não entrassem no foco da CPI dos Correios.

Recordar é viver Recursos do valerioduto irrigaram a fracassada campanha de Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. Ao poupar o senador, a CPI tenta impedir que mais lenha seja jogada na fogueira.

Operação tartaruga Bancos e telefônicas estão na mira das CPIs. Integrantes das comissões acham que não está havendo empenho suficiente para garantir o acesso às informações requisitadas.

Ah, claro... O ex-presidente Itamar Franco disse aos comandantes do PMDB que não quer disputar as prévias que escolherão o candidato do partido à Presidência. Quer ser levado ao posto por aclamação.

Agenda cheia O presidente Lula - apesar da crise que enfrenta como chefe de Governo - continua a cumprir, sem alterações, sua agenda como chefe de Estado. Neste 7 de Setembro, ele recebe o presidente da Nigéria, Olegosum Obasanjo, com quem assistirá ao desfile militar.

Homem do mundo No dia seguinte, Lula vai a Puerto Maldonado, no Peru, para lançar, com o presidente Alejandro Toledo, a pedra fundamental da Rodovia Interoceânica.

Na rede A Frente pela Legítima Defesa, que no referendo vai defender a manutenção da venda de armas no Brasil, colocou um site no ar. No www.votonao. com.br, eles disponibilizam material de campanha, estatísticas e uma cartilha para os simpatizantes da causa.

Criatividade O Ministério dos Transportes também resolveu apelar para a internet para colocar no ar uma campanha. Criou no orkut uma comunidade com o nome Beber e Dirigir Não Combinam. Mais de 4,5 mil pessoas já passaram por lá.

Bicadas no ninho tucano Os principais concorrentes a candidato do PSDB à Presidência da República em 2006 já trocam farpas públicas. Em festa recente, o governador Geraldo Alckmin (SP) disse que, quando o presidente Lula era considerado imbatível, ninguém desejava o posto. Mais: todos apoiavam a candidatura dele.

O recado tem endereço certo: o prefeito de São Paulo, José Serra, que, animado com pesquisas, opera para concorrer ao Planalto.Jogo Rápido

Jogo Rápido

O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), relator do recurso de Roberto Jefferson (PTB-RJ) na Comissão de Constituição e Justiça contra a decisão do Conselho de Ética da Câmara, passou o final de semana trabalhando em seu parecer. A idéia é votar o recurso amanhã.

Está marcada para amanhã a oficialização do Movimento Brasil Verdade no Congresso. O grupo, que será pluripartidário, tem como objetivo lutar pela melhoria da imagem da Casa, defender uma bandeira ética e estabelecer uma agenda mínima de votações.