Título: MST vai protestar no Sete de Setembro
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 05/09/2005, País, p. A6

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) vai realizar um protesto na Esplanada dos Ministérios, durante o desfile de Sete de Setembro, na quarta-feira. Os manifestantes querem marchar em frente ao palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atrás das tropas das Forças Armadas. O centro da capital será ocupado por 1,4 mil sem-terra, que realizam o Grito dos Excluídos.

- Depois que passar a tropa do Exército, queremos botar a tropa dos sem-terra, dos excluídos. Só falta combinar com os militares - diz um dos coordenadores nacionais do MST, João Paulo Rodrigues.

Os manifestantes irão se concentrar ao lado da Catedral de Brasília às 11h. A grande reivindicação é a aceleração da reforma agrária, mas o protesto é também contra a política econômica do e pela retirada das tropas brasileiras no Haiti.

- O governo só assentou 4 mil famílias ligadas ao MST este ano. Há uma perspectiva de assentar no máximo 12 mil até o fim do ano. Ou seja, só 10% dos acampados do país - reclama João Paulo.

Esta semana, representantes de acampamentos do MST em 23 Estados foram ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, com uma pauta de reivindicações. Mas o que os sem-terra viram, diz João Paulo, foi um ministro ''muito pessimista e desanimado'' com a falta de recursos e apoio político do governo.

- Acho que o ministro nunca teve apoio da área econômica. Há uma situação de isolamento dele no governo - diz João Paulo.

A avaliação interna do MST é que Rossetto pode chegar ao fim do ano com uma pasta totalmente esvaziada, sem apoio do governo e mais distanciado dos movimentos sociais. O MST decidiu reiniciar este mês um conjunto de manifestações pelo país. Internamente, o movimento discute os tipos de ''lutas'' que irá deflagrar.

- Estamos dispostos a ocupar prédios públicos desta vez. Mas não está definido. É uma luta contra o latifúndio e contra a política de reforma agrária do governo - avisa João Paulo.

Na lista de alvos estão os prédios do Ministério da Fazenda nos Estados. O MST, no entanto, descarta saques de caminhões de alimentos, já que o governo distribui cestas-básicas nos acampamentos da reforma agrária.

Apesar da crise, João Paulo não acredita que as manifestações possam ajudar a enfraquecer o governo.