Título: Nordeste sob risco de racionamento
Autor: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Jornal do Brasil, 03/09/2005, Economia & Negócios, p. A17
O fantasma do racionamento acendeu a luz amarela do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que identificou um risco de déficit em 2009, na região Nordeste, acima do patamar aceitável de segurança, de 5%. O operador detectou a possibilidade de uma demanda de 87 megawatts (MW) médios acima da oferta do sistema na região, em 9,2% dos 2 mil cenários hidrológicos calculados regularmente. O mesmo, no entanto, não foi identificado nas demais regiões do país.
Ontem, o presidente do ONS, Mário Santos, fez questão de minimizar tais cálculos, ao ressalvar que eles não levam em conta os investimentos na ampliação da capacidade de geração do país. Além disso, acrescentou que também não incluem a solução para o impasse no fornecimento de energia da Argentina para o Brasil. Por causa do déficit de gás natural naquele país, dois contratos de fornecimento - um para a termelétrica de Uruguaiana (RS) e outro para Furnas Centrais Elétricas - não têm sido cumpridos integralmente.
Mário Santos afirmou ontem que considera improvável que tal situação persista sem solução até 2009. Além disso, afirmou que o governo, e conseqüentemente o ONS, trabalha com a perspectiva de agregar mais 8,1 mil MW ao sistema até 2009, por meio de novos investimentos públicos e privados em geração. Desse total, afirmou, apenas 1 mil MW ainda não dispõem de licenças ambientais. Diante dessa perspectiva, o ONS também recomendou providências, na última quinta-feira, ao enviar ao Ministério de Minas e Energia a revisão do Programa de Ampliação da Rede Básica (PAR).
Pelo programa, o ONS ampliou em 30% a previsão de investimentos para adequar a rede de transmissão à carga que será adicionada no período 2006-2008. O presidente do ONS informou que serão necessários R$ 13,7 bilhões de desembolsos para a implantação, reforço e manutenção de linhas de transmissão e transformadores. Essa infra-estrutura, segundo ele, poderá ser licitada ou autorizada pelo governo. (R.R.M.)