Título: Juros não caem sem reformas
Autor: Mariana Carneiro
Fonte: Jornal do Brasil, 04/09/2005, Economia & Negócios, p. A18
Mais do que baixar a famigerada taxa de juros, eleita arquiinimiga de muitos empresários, promover mudanças estruturais geram resultado mais palpável a longo prazo, sugerem economistas. Nesse ponto é que se explica a preocupação com a crise política. Mais do que denúncias contra a equipe econômica, os analistas econômicos esboçam preocupação com a paralisia das reformas no Congresso. - Os efeitos da turbulência se dão em um timing diferente do que no passado recente. Quando o Congresso ajuda, melhor é a atratividade de investimentos. Portanto, embora não se observe choques nos prêmios, juros e câmbio, pensa-se no que poderia ser conseguido se houvesse uma coordenação política eficaz - diz Roberto Padovani.
- Não houve nenhuma decisão importante em relação aos marcos regulatórios nos últimos meses. Assim, terá que ser mantida uma taxa de juros real (descontada a inflação) de dois dígitos - ensaia uma tabela Alexandre Lintz.
Para ele, a carga tributária muito elevada e um sistema financeiro pouco desenvolvido são os responsáveis pelo baixo nível de poupança e investimentos. A absorção de recursos pelo Estado limita o volume de recursos disponível para o setor privado. Além disso, não há oferta de papéis de mais longo prazo no país, o que piora o nível de poupança.
- Os títulos mais longos têm cinco anos. Sem opção no mercado, as empresas dependem exclusivamente de recursos estatais, que são mais burocráticos e não atendem totalmente a necessidade dos tomadores. (M.C)