Título: HUB foi preterido por Bernardino
Autor: Dione Tiago
Fonte: Jornal do Brasil, 09/09/2005, Brasília, p. D3

O diretor do Hospital Universitário de Brasília, Cláudio Bernardo de Freitas, confirmou ontem, em depoimento na CPI da Saúde, que o HUB praticamente não era requisitado pela Secretaria de Saúde. Afirmou que, mesmo depois de ter solicitado, não conseguiu fechar convênios com o governo do DF. Cláudio Bernardo, que integra o Conselho de Saúde do DF, depôs pela manhã e segundo a deputada Arlete Sampaio (PT), disse que várias vezes encaminhou ofícios à Secretaria propondo convênios, mas que as conversas não evoluíram.

- Ele sugeriu inclusive o serviço de hemodiálise, mas não houve interesse da Secretaria de Saúde - afirmou a parlamentar.

Ainda de acordo com a relatora da Comissão, o diretor assegurou que as dificuldades de relacionamento com o governo foram maiores na gestão do ex-secretário, Arnaldo Bernardino.

- Isso deixa claro que o ex-secretário pretendia privatizar alguns procedimentos de alto custo no DF - avaliou Arlete Sampaio.

A deputada lembrou que, após a mudança de secretário, as conversas foram retomadas e que a previsão é que o convênio entre o HUB e a Secretaria de Saúde seja fechado

O HUB possui seis leitos de UTI, número que deve passar para 17, após a reforma que está em andamento.

- Essa reforma já poderia até ter sido concluída, se esta parceria com a Secretaria tivesse sido feita - avaliou Arlete Sampaio.

Custos -A deputada Arlete Sampaio (PT), explicou que a utilização do HUB representa economia para os cofres públicos.

- O atendimento feito no HUB é pago com base na tabela do SUS e não nos valores de mercado - afirmou.

Os valores de mercado são pagos pelos procedimentos feitos na rede particular, como ocorreu no caso do Hospital Santa Juliana, para onde eram levados os pacientes que precisavam de tratamento intensivo.

A relatora não citou números, mas disse que a diferença é significativa. Segundo ela, a CPI possui levantamentos comparativos de custos de um mesmo tratamento na rede pública e na particular.

No depoimento, o diretor do HUB confirmou esta diferença, ao explicar que um tratamento pelo qual o GDF pagou R$ 160 mil poderia ter custado três vezes menos se feito no hospital público.

Inicialmente, a CPI havia marcado cinco depoimentos para ontem, mas em função do feriado de 7 de Setembro, as pessoas foram reconvocadas para a próxima semana.

A relatora adiantou que os depoimentos devem acontecer na segunda-feira.. O depoimento do ex-secretário Arnaldo Bernardino, o mais esperado da CPI ainda não tem data definida.

- Ainda é cedo - desconversou Arlete Sampaio, acrescentando que prazo para que a CPI concluir as investigações termina em outubro, mas poderá ser prorrogado.