Título: Oposição se recusa a aceitar volta de Severino
Autor: Fernando Exman
Fonte: Jornal do Brasil, 10/09/2005, País, p. A4
Enquanto articula nos bastidores a escolha de um nome para a sucessão da presidência da Câmara dos Deputados, a oposição radicalizou ontem e anunciou que se recusa a participar de qualquer sessão conduzida por Severino Cavalcanti (PP-PE), inclusive a votação da cassação do mandato de Roberto Jefferson (PTB-RJ) em plenário, marcada para a próxima quarta-feira. Além disso, os líderes dos partidos de oposição afirmaram que não recuarão da decisão de protocolar um pedido de cassação do mandato do presidente da Câmara no Conselho de Ética, mesmo se ele optar por um afastamento da função. Os líderes dos cinco partidos da frente de oposição - PFL, PSDB, PPS, PDT e PV- agendaram uma reunião na próxima terça-feira para finalizar o requerimento contra Severino.
Deputados federais da base de sustentação do governo, com a ajuda de alguns nomes da oposição, estão, no entanto, tentando encontrar uma saída negociada para a crise gerada na Câmara pelas denúncias contra Severino: vão procurar convencê-lo, ou até mesmo induzi-lo, a renunciar ao cargo e ao mandato.
Se isso não funcionar, o líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), fala até em propor uma alteração no regimento interno da Casa para que Severino fique impossibilitado de presidir a Câmara enquanto estiver sendo investigado e respondendo a processo por falta de decoro no Conselho de Ética.
O empresário Sebastião Augusto Buani, concessionário de um dos restaurantes localizados na Câmara dos Deputados, admitiu na última quinta-feira que pagou propina a Severino quando o deputado era primeiro-secretário da Casa. O parlamentar nega a acusação.
Para Aleluia, a maneira mais rápida de resolver essa crise é convencer Severino a renunciar ao cargo, o que, até agora, o presidente da Câmara diz que se recusará a fazer. Com volta de Nova York agendada para hoje, Severino sinalizou ontem, que admitiria se licenciar por um tempo.
Aleluia disse que não há acordo. Mesmo se licenciando, afirmou o líder da minoria na Câmara, Severino não terá trégua da oposição.
- Ele tem que ir para o Conselho de Ética. Seu julgamento é inevitável. O presidente Severino não tem condições de presidir mais nada - disse Aleluia.
Já o líder do PT na Câmara, deputado federal Henrique Fontana (RS), considera a renúncia de Severino a saída menos traumática para a Casa porque, se depender do julgamento do presidente no Conselho de Ética, a cassação de Severino pode demorar mais de 90 dias. Fontana defende a abertura de investigações na Corregedoria da Câmara para que provas sejam levantadas contra Severino, fazendo com que ele seja levado a renunciar.
O líder do PT tenta agendar uma reunião com todos os líderes partidários para segunda-feira.
- A crise é do Parlamento como um todo. Tem que haver uma saída institucional.